Quem é Suellen Jacobsen, criadora da FOAL, marca de moda nascida no agro que estreiou em Barretos

Criada em 2022 para vestir uma mulher do campo que Suellen Jacobsen não encontrava representada na moda, a FOAL Leather chega pela primeira vez à Festa do Peão de Barretos e transforma o maior palco country do país em mais um capítulo de sua expansão

Há negócios que começam a partir da identificação de uma oportunidade de mercado. Outros nascem de uma experiência que o próprio fundador viveu antes de perceber que ali existia uma oportunidade. A FOAL Leather pertence ao segundo grupo.

Criadora de cavalos Quarto de Milha, nascida no Mato Grosso e ligada ao campo desde a infância, Suellen Jacobsen costuma dizer que praticamente nasceu em cima de um cavalo. Mas foi quando precisou encontrar seu próprio espaço em um ambiente historicamente masculino que começou a surgir a ideia que, anos depois, daria origem à marca. Em 2022, Suellen transformou essa percepção em negócio. Nascia a FOAL, uma marca brasileira de moda que encontrou no universo agro, country e western não apenas uma referência estética, mas sua própria identidade.

Quatro anos depois, a empresa chegou a um endereço especialmente simbólico para essa história: pela primeira vez, a FOAL participa da Festa do Peão de Barretos, em São Paulo.

A estreia acontece justamente na 71ª edição do evento, realizada entre 20 e 30 de agosto. Barretos reúne competições, música, cultura, negócios e algumas das maiores expressões do universo country brasileiro em uma área superior a 2 milhões de metros quadrados.

Para uma marca que nasceu tentando aproximar campo e cidade, estar em Barretos representa mais do que participar de um grande evento. É ocupar uma das principais vitrines da cultura que ajudou a formar seu DNA.

Antes da marca, existia uma inquietação

A história da FOAL começa antes de sua primeira coleção.

Ao assumir responsabilidades e ocupar espaços dentro do agronegócio, Suellen percebeu algo que ultrapassava sua própria experiência. Para conquistar respeito em um ambiente predominantemente masculino, muitas mulheres acabavam sentindo a necessidade de endurecer sua imagem — como se competência, liderança e feminilidade fossem características difíceis de coexistir.

Foi dessa percepção que surgiu uma pergunta: onde estava, na moda, a mulher que administra, produz, negocia, monta a cavalo, frequenta leilões e toma decisões dentro do agro, mas que também deseja expressar sua feminilidade?

Suellen conhecia essa mulher porque, de certa maneira, ela própria fazia parte desse universo.

E decidiu construir uma marca para ela.

A proposta da FOAL nasceu, portanto, de uma ideia que parece simples, mas carrega uma transformação cultural relevante: uma mulher não precisa escolher entre ser forte e feminina para ocupar posições de protagonismo no agronegócio.

“Durante muito tempo, eu senti que, para ser respeitada dentro de um ambiente predominantemente masculino, precisava esconder um pouco da minha feminilidade. A FOAL nasceu quando percebi que outras mulheres também viviam isso. Eu queria criar uma marca que dissesse exatamente o contrário: você pode ser forte, liderar, tomar decisões e ocupar qualquer espaço sem deixar de ser feminina e sem abrir mão de quem você é”, afirma Suellen Jacobsen, fundadora da FOAL.

Deixar a sucessão para construir a própria história

O nascimento da empresa também exigiu uma decisão pessoal importante.

Suellen tinha diante de si o caminho natural da sucessão familiar. Em vez de simplesmente segui-lo, decidiu construir uma trajetória própria em São Paulo.

Não abandonou suas origens.

Fez exatamente o contrário: transformou as próprias raízes em ativo de marca.

A vivência no campo, a criação de cavalos Quarto de Milha e os códigos visuais do universo equestre passaram a fornecer a matéria-prima conceitual para a FOAL.

Até o nome surgiu desse ambiente.

Durante uma conversa com o irmão, também ligado aos cavalos, apareceu a palavra que sintetizaria a ideia: “foal”, que significa “potro” em inglês.

Curta, internacional e diretamente associada ao universo que havia acompanhado Suellen desde criança, tornou-se o nome da empresa.

Quando estribos, bridões e selas viram design

O western cresceu muito além das porteiras. Botas, couro, franjas, fivelas e referências equestres passaram a circular entre festivais, grandes eventos, redes sociais e produções de moda. Mas, para a FOAL, apropriar-se apenas da estética não seria suficiente.

A diferença está justamente na origem de quem cria.

Estribos, bridões, selas, fivelas e outros elementos presentes na rotina de quem vive o cavalo são reinterpretados em peças, acessórios e detalhes de design.

Em vez de reproduzir uma imagem idealizada do campo, a marca procura transformar códigos que fazem parte da vida de sua fundadora em moda contemporânea. Com peças autorais, produtos exclusivos e criações resguardadas, a FOAL começou a construir uma linguagem própria dentro do segmento.

É nessa combinação que está uma das características mais interessantes do negócio: o campo não aparece como fantasia. Aparece como origem.

A mulher que está na fazenda também está na cidade

Existe ainda outra mudança importante por trás da estratégia da FOAL.

Durante muito tempo, a comunicação ligada ao universo rural trabalhou com fronteiras relativamente claras entre o campo e a cidade. O comportamento do consumidor brasileiro, porém, tornou essa divisão cada vez menos precisa.

A empresária que acompanha uma operação pecuária pode desembarcar em São Paulo no mesmo dia. A criadora que está em uma prova equestre também viaja, frequenta restaurantes, participa de eventos e acompanha tendências. A mulher que negocia animais em um leilão não deixa sua feminilidade na entrada da fazenda.

É exatamente nessa interseção que a FOAL decidiu se posicionar.

A marca não pretende vestir uma personagem country. Pretende acompanhar uma mulher que circula naturalmente por esses diferentes ambientes. Essa escolha ajuda a explicar por que a FOAL conseguiu atravessar as fronteiras mais tradicionais do agro e chegar também a personalidades e influenciadoras como Rafa Kalimann e Gabriela Versiani.

Não significa abandonar o nicho que deu origem ao negócio. Pelo contrário: mostra a capacidade de uma identidade originalmente rural de conversar com públicos muito maiores.

Barretos vira a grande vitrine de 2026

É nesse contexto que a estreia na Festa do Peão de Barretos ganha peso estratégico.

A FOAL chega ao evento em um momento no qual o próprio Barretão amplia sua conexão com novas gerações e públicos. Em 2026, a festa chega à 71ª edição com 11 dias de programação, competições de rodeio, grandes apresentações musicais, experiências, gastronomia e uma extensa estrutura comercial e de entretenimento.

Para uma empresa de moda western, poucos ambientes oferecem tamanha concentração de público, cultura, consumo e influência em torno do mesmo universo.

Mas há um significado adicional.

Barretos reúne justamente os dois mundos que a FOAL decidiu conectar desde sua criação.

Ali estão cavalos, competidores, criadores e a tradição do rodeio. Ao mesmo tempo, estão artistas, influenciadores, grandes marcas, experiências premium e um público que transformou a estética country em comportamento e moda.

A primeira participação da FOAL, portanto, acontece quando a empresa parece encontrar fisicamente o ambiente que seu posicionamento sempre tentou representar.

“Estar em Barretos pela primeira vez tem um significado muito especial para mim. A FOAL nasceu das minhas raízes, dos cavalos e da vida no campo, e chegar a um dos maiores palcos do universo country brasileiro mostra o quanto essa história cresceu. Mais do que apresentar nossas peças, queremos que cada mulher que passe pela FOAL se reconheça na marca e entenda que as nossas raízes podem nos acompanhar aonde quer que a gente queira chegar”, diz Suellen.

O western brasileiro deixou de ser apenas um nicho

O crescimento de marcas ligadas a esse universo também acompanha uma mudança maior.

O agro brasileiro não é apenas uma atividade econômica gigantesca. Ao redor dele existe uma cultura própria, com música, esportes equestres, eventos, gastronomia, arquitetura, turismo, comportamento e moda.

E essa identidade ganhou visibilidade.

O que durante décadas esteve concentrado principalmente nas cidades do interior passou a ocupar redes sociais, festivais, grandes centros urbanos e o guarda-roupa de consumidores que sequer trabalham diretamente no campo.

Para marcas capazes de preservar autenticidade enquanto ampliam seu público, essa transformação abre uma avenida de oportunidades.

A FOAL tenta ocupar justamente esse território: transformar pertencimento em desejo sem descaracterizar sua origem.

Uma marca criada a partir de uma mulher — para muitas outras

Apesar das peças, do couro, dos cavalos e da estética western, talvez o principal ativo da FOAL esteja na história que existe antes do produto. Suellen Jacobsen não criou a empresa observando o agronegócio de fora. Ela cresceu dentro dele. Conheceu os cavalos antes de transformá-los em referência de design. Viveu o ambiente predominantemente masculino antes de construir uma marca voltada às mulheres. Experimentou a tensão entre força e feminilidade antes de fazer dessa combinação parte do posicionamento da empresa.

É isso que permite à FOAL vender algo maior que uma roupa.

Ela vende identificação.

Do Mato Grosso a São Paulo, dos cavalos Quarto de Milha às personalidades que passaram a vestir suas peças, a trajetória ainda é relativamente curta. A empresa foi fundada há apenas quatro anos. Mas sua chegada a Barretos ajuda a dimensionar quanto caminho já foi percorrido. Em 2022, Suellen procurava uma maneira de representar na moda a mulher que conhecia no campo. Em 2026, a marca criada a partir dessa pergunta estreia justamente em uma das maiores vitrines do universo country brasileiro.

E talvez esteja aí a melhor síntese da FOAL: uma marca que nasceu do campo não para manter a mulher presa a ele, mas para mostrar que ela pode levar suas raízes para qualquer lugar.

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