Ranking traz as usinas de cana campeãs de produtividade

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Cana-de-açúcar crua -- área de colheita mecanizada
Foto: Neide Makiko Furukawa

Primeiro ranking de usinas brasileiras campeãs de produtividade que adotam o sistema Canaviais Irrigados de Altíssima Produtividade

Desde sempre, a água é um nutriente essencial e costuma ser a principal restrição ao ganho de produtividade nos canaviais de sequeiro do Brasil. De acordo com o pesquisador Paul H. Moore, do Centro de Pesquisa Agrícola do Havaí, a cana-de-açúcar possui uma produtividade máxima teórica de 472 t/ha, o que nos traz uma produtividade cinco vezes maior que a produtividade média da cultura no país.

No entanto, na região Centro-Sul do Brasil, tem-se alcançado, na média das últimas 4 safras, 77 toneladas, ou seja, muito menos do que a produtividade agrícola máxima teórica. Estima-se que o Brasil possua produção de aproximadamente 560 milhões de toneladas, produzindo 23 milhões de litros de etanol e 36 milhões de toneladas de açúcar.

Maior produtor global de cana, com uma produção anual média de 650 milhões de toneladas e faturamento de R$ 100 bilhões, o Brasil não está no radar das grandes multinacionais por não ter uma escala mundial, como é o caso da soja e do milho.

Nesse sentido, algumas usinas perceberam que a irrigação, apesar de não ser a única, é uma das melhores soluções para que essa distância entre as produtividades agrícolas teóricas e reais.

Por conta disso, a RPA Consultoria resolveu criar um ranking com os números das empresas que adotam o sistema Canaviais Irrigados de Altíssima Produtividade (CIAP).

Assim, é possível ver a diferença que existe entre as unidades que adotam o CIAP em comparação com as outras usinas, que fecham suas safras com o número médio na conta.

Com CIAP x Sem CIAP

Para se ter uma ideia da disparidade entre a produtividade das usinas que adotam o sistema CIAP e as que não adotam, o estudo da RPA Consultoria mostrou que há usinas que, com os Canaviais Irrigados de Altíssima produtividade, conseguem colher, durante onze cortes, em média, mais de 170 toneladas. Já as unidades de sequeiros colhem, em média, ao longo de cinco cortes, 77 toneladas por hectare.

Canaviais Irrigados de Altíssima Produtividade (CIAP).
Fonte: Canaviral

1° ranking de usinas brasileiras campeãs de produtividade com CIAP

Agrovale: campeã de CIAP de 1° corte (cana de ano e meio)
Resultado: 409 t/ha

Fonte: Canaviral

Japungu: campeã de CIAP de 1° corte (cana de ano)
Resultado: 242 t/ha

Fonte: Canaviral

Petribu: campeã de CIAP de 2° corte
Resultado: 248 t/ha

Fonte: Canaviral

Jalles Machado: campeã de CIAP de 3° corte
Resultado: 163 t/ha

Fonte: Canaviral

São Martinho: campeã de CIAP 4° e 5° corte
Resultado: 205 t/ha e 198 t/ha, respectivamente

Fonte: Canaviral

Raízen: campeã de CIAP 6° e 7° corte
Resultado: 114 t/ha e 121 t/ha, respectivamente

Fonte: Canaviral

Seresta: campeã de CIAP 8° e 9° corte
Resultado: 140 t/ha e 114 t/ha, respectivamente

Fonte: Canaviral

Coruripe: campeã de CIAP 10° e 11° corte
Resultado: 136 t/ha e 132 t/ha

Fonte: Canaviral

O mito envolvendo o CIAP

Hoje, ainda existe uma crença errada de que os canaviais irrigados não passam de 20% de ganho na produtividade agrícola em relação ao sequeiro. No entanto, consultores da RPA Consultoria explicam que esse mito acontece porque algumas unidades adotam o sistema, mas não o executam da melhor forma possível. Com isso, acabam não conseguindo usufruir dos benefícios do sistema.

Confira 7 motivos que fazem as usinas não conseguirem a produtividade máxima, mesmo utilizando o CIAP:

  1. fazer-se o manejo da cana irrigada da mesma forma que se faz o manejo da cana de sequeiro, somente acrescentando mais água e se esquecendo que novas restrições (Lei dos Mínimos) irão aparecer,
  2. montarem-se projetos de irrigação adotando “lâminas econômicas” menores do que a demanda real da cana-de-açúcar. Esta prática visa a diminuir o investimento total no sistema, mas limita ad aeternum o potencial de crescimento do canavial irrigado,
  3. solicitar-se que os fabricantes de sistemas de irrigação definam o manejo do futuro canavial irrigado, ignorando a necessária execução de um estudo prévio das condições edafoclimáticas locais,
  4. inexistência no mercado de consultores especializados no manejo de Canaviais Irrigados de Altíssima Produtividade para serem contratados. Há diversos consultores especializados em projetos de irrigação e aplicação de vinhaça, mas que desconhecem com profundidade o manejo de CIAP,
  5. presença no Brasil de poucas áreas com CIAP, quer dizer, canaviais com produtividade acima de 200 toneladas de cana por hectare (ou acima de 28 TAH),
  6. falta de água reservada para propiciar a irrigação plena de canaviais nas áreas de usinas e produtores, situação que é resolvida através da execução de Planos Diretores de Irrigação de Canaviais (PDIC),
  7. tendência de se querer copiar pacotes tecnológicos aplicados em projetos bem-sucedidos de CIAP em outras regiões. Cada região tem seu manejo específico de canavial, que respeita principalmente seu clima, solo, épocas de plantio e variedades mais responsivas.
Bico de irrigação em lavoura de cana em Alagoas
Foto: Saulo Coelho Nunes

Quando irrigar a cana-de-açúcar?

A irrigação na cultura da cana pode ser utilizada com diferentes enfoques, são eles: a irrigação de salvamento, deficitária, complementar às chuvas e plena. A maior área irrigada de cana é para fins de irrigação de salvamento.

Assim, trata-se de grandes áreas com aplicação de pequenas lâminas de irrigação. Isto representa um baixo consumo de água por unidade de área. Apesar de tratar-se de pequenas lâminas de irrigação estas são relevantes, pois aplicadas em épocas críticas para favorecer a rebrota da cana após o corte e com isto garantir o estabelecimento do canavial com boa população de plantas para o ciclo seguinte. No contexto da agricultura irrigada é relevante considerar que cerca de 90% da água consumida pelas plantas retorna para a atmosfera, de forma limpa, por vapor devido à transpiração das plantas.

Adaptado da Revista RPA News

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