Coluna de poeira chamou a atenção no bairro Reserva do Parque; fenômeno costuma aparecer em condições de forte aquecimento do solo e baixa umidade
Um redemoinho gigante chamou a atenção de moradores de Rio Verde, no sudoeste de Goiás, nesta quinta-feira (20). O fenômeno foi registrado no bairro Reserva do Parque e ganhou destaque pela coluna de poeira formada sobre a região, visível a uma distância considerável.
As imagens feitas por moradores mostram a circulação se organizando próxima ao solo e, pouco depois, ganhando definição à medida que poeira e materiais leves são puxados para cima. Pelas gravações, entretanto, não é possível calcular com precisão a altura, o diâmetro ou a velocidade dos ventos.
O episódio ocorreu em um mês marcado por pouca chuva no município. Dados da Climatempo indicavam acumulado de 1 milímetro de precipitação até 21 de agosto, equivalente a cerca de 9% da média histórica mensal de 11 milímetros. O cenário de solo seco e aquecido é compatível com as condições que favorecem esse tipo de formação atmosférica.
O que explica a formação do redemoinho gigante?
O fenômeno registrado em Rio Verde apresenta características típicas de um redemoinho de poeira, conhecido em meteorologia como dust devil.
Esse tipo de circulação se desenvolve quando a superfície recebe forte radiação solar e aquece intensamente o ar logo acima do solo. Como esse ar se torna menos denso, ele sobe rapidamente. Pequenas diferenças na circulação do vento podem fazer com que esse movimento ascendente adquira rotação.
Quando a coluna giratória passa sobre uma superfície seca, partículas de terra, poeira, folhas e outros materiais leves são suspensos, tornando o movimento do ar claramente visível.
Segundo o National Weather Service, esse tipo de fenômeno tende a ocorrer principalmente em ambientes quentes, secos e com forte aquecimento da superfície.
Redemoinho gigante não deve ser confundido com tornado
Apesar do impacto visual, um redemoinho gigante de poeira não é formado pelo mesmo processo de um tornado.
Os tornados estão normalmente associados a tempestades intensas e à organização de fortes correntes de ar dentro de nuvens de tempestade. Já os redemoinhos de poeira surgem a partir do aquecimento próximo ao solo e podem aparecer mesmo sob céu aberto.
Por isso, não há elementos nas imagens divulgadas que permitam classificar o episódio de Rio Verde como tornado. A aparência da coluna giratória, isoladamente, não é suficiente para esse tipo de conclusão.
Fenômeno pode alcançar dimensões expressivas
Embora muitos redemoinhos de poeira sejam pequenos e desapareçam rapidamente, alguns podem atingir proporções maiores.
Referências do National Weather Service apontam que essas circulações podem variar bastante de tamanho, com registros de dezenas de metros de diâmetro e centenas de metros de altura em ocorrências mais desenvolvidas.
Essas medidas são apenas parâmetros gerais da literatura meteorológica e não correspondem ao fenômeno observado em Rio Verde, já que não houve medição técnica conhecida no local.
Mesmo sendo geralmente menos severos que tornados, redemoinhos mais intensos podem deslocar objetos leves, reduzir temporariamente a visibilidade e oferecer risco para quem estiver muito próximo.
Vídeo registra evolução do fenômeno em Rio Verde
O registro feito no Reserva do Parque permite acompanhar a evolução da coluna de poeira durante a ocorrência. A circulação aparece inicialmente menos definida e se torna mais evidente conforme aumenta a quantidade de partículas suspensas.
A cena chamou a atenção justamente pelo contraste entre o terreno e a coluna vertical formada pelo movimento do ar.
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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