Regiões Gaúchas: Adoção de boas práticas melhora produção de leite

Regiões Gaúchas: Adoção de boas práticas melhora produção de leite

produção-de-leite
Foto: Divulgação

Projeto coordenado pela Embrapa, em Pelotas/RS, capacitou técnicos e produtores com foco em melhoria de qualidade e desenvolvimento da cadeia leiteira no Estado

Um índice de 90% de adoção de boas práticas foi o principal resultado do Projeto Protambo, coordenado pela Embrapa Clima Temperado (Pelotas, RS), encerrado após três anos de duração.

Esse percentual refere-se às propriedades leiteiras onde foi realizado um plano de ação do projeto, resultando em melhoria na qualidade do leite produzido.

Ao todo, 62 unidades produtivas receberam acompanhamento dos técnicos e as tecnologias da pesquisa. Também foram realizadas mais de 50 ações de capacitação para técnicos e produtores sobre os principais temas da atividade leiteira. A última reunião de avaliação do projeto ocorreu no início de agosto.

Projeto Protambo, coordenado pela Embrapa Clima Temperado
Projeto Protambo, coordenado pela Embrapa Clima Temperado

O Projeto “Transferência de tecnologias para o desenvolvimento da atividade leiteira no RS com base nas boas práticas agropecuárias” teve início em 2014 a partir de demanda do setor produtivo para promover a inovação nos sistemas de produção de leite gaúchos. O trabalho foi realizado com oito grupos de produtores em seis regiões do Estado, envolvendo 14 instituições.

A partir de diagnóstico de adoção das boas práticas no início das ações, realizado por meio de ferramenta própria criada para o Projeto, os pesquisadores avaliaram os níveis de conformidade das Unidades de Produção de Leite (UPLs).

O analista da Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora, MG), mas lotado em Pelotas, Rogério Dereti, ficou responsável pelo trabalho. Para avaliação, foram escolhidas 14 Propriedades Tratamento que se encaixavam totalmente nos critérios de inclusão do estudo para acompanhamento, realização de plano de ação e, por fim, avaliação estatística; e 12 Propriedades Controle, onde o diagnóstico foi realizado, mas não o plano de ação.

Após o fim do Projeto, nova avaliação foi realizada nestas propriedades para comparação da evolução dos indicadores. “Houve melhora altamente significativa dos indicadores nas Propriedades Tratamento, em mais de 90% dos casos,” afirmou Dereti.

Algumas propriedades chegaram a duplicar a produção, melhorando o planejamento forrageiro, e resolveram a questão da qualidade do leite, mudando as práticas de higiene.

O projeto contou com apoio de parceiros como Emater/RS, Cooperativa Agropecuária dos Agricultores Familiares de Tenente Portela (Cooperfamiliar), Cooperativa dos Assentados de Santana do Livramento (Cooperforte), Cooperativa Mista de Pequenos Agricultores da Região Sul (Coopar), Cooperativa Sul-Rio-Grandense de Laticínios (Cosulati), Cooperativa Santa Clara, e Associação Regional de Educação, Desenvolvimento e Pesquisa de Santa Rosa/RS (Arede).

Ações realizadas no Estado

Além do acompanhamento das UPLs, foram realizadas reuniões periódicas com os grupos de produtores; cursos e oficinas de capacitação para técnicos e produtores; Dias de Campo – alguns com público de quase mil pessoas; Unidades de Observação de forrageiras; além de ações de divulgação por meio de sites, revistas e jornais. Também foi criado um grupo no Facebook – que hoje conta 150 interessados no tema – para interação e troca de informações. E colocadas à disposição das propriedades acompanhadas as tecnologias de análise de solo, leite e água dos laboratórios da Embrapa.

Resultados junto à cadeia produtiva

Além da melhoria dos processos nas propriedades, houve maior aproximação entre pesquisa, assistência técnica e cadeia produtiva, especialmente por meio da capacitação dos técnicos. O contato também foi importante para direcionar o desenvolvimento de novas tecnologias. Outro destaque foi a mudança da imagem institucional da Embrapa junto ao setor. Com a maior presença da pesquisa, surgiram convites para realização de atividades em regiões não contempladas pelo projeto, gerando uma ampliação. E, também, em feiras e exposições em todo o Estado.

No entanto, de acordo com a pesquisadora Maira Zanela, responsável pelo Projeto, o Protambo representou apenas o esforço inicial, abrangendo um número relativamente pequeno de produtores. É por meio da capacitação dos técnicos nas tecnologias da Embrapa que se pretende multiplicar e capilarizar ainda mais a atuação no campo. “A implementação de boas práticas na atividade traz benefícios para toda a cadeia produtiva. O produtor recebe mais pelo leite e o consumidor se beneficia por ter um produto de melhor qualidade”, finaliza.

Produtos associados

O Protambo ainda gerou outros resultados, como um aplicativo para tablets e celulares com foco no planejamento forrageiro, ainda em desenvolvimento. Também foram elaboradas recomendações para análises microbiológicas do leite, identificando os agentes de mastite. “O projeto fez muito mais do que transferir tecnologias, ele fez uma prospecção de demandas aplicadas ao setor. Coisas que a gente não sabia que eles tinham dificuldades apareceram a partir da interação e da troca de experiências”, explica Maira.

Para dar continuidade a estas e outras ações, está sendo discutida a renovação dos convênios com as instituições parceiras. E a possibilidade de, futuramente, ser realizado um novo projeto com enfoque similar.

Dados sobre a produção de leite

Segundo dados do Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite no Rio Grande do Sul, produzido pela Emater/RS e Instituto Gaúcho do Leite (IGL), o Brasil produz 35 bilhões de litros de leite anualmente, tendo como principais estados produtores Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul – este último responsável por 13% da produção nacional, com 4,6 bilhões de litros/ano.

O estado abriga 198 mil propriedades produtoras – cerca de 40% do total das propriedades rurais –, estando a produção de leite vinculada à indústria presente em 94% dos municípios.

Em termos regionais, o noroeste do Rio Grande do Sul é o primeiro em produção leiteira no Brasil. Outra característica importante da cadeia é a predominância de pequenos produtores. “O leite é familiar”, encerra Maira.

Fonte: Embrapa

PARTILHAR

21 anos, Jales/SP.
Estudante de Jornalismo, fotógrafa e estagiaria em Assessoria de Imprensa.
Contato: jornalismo@comprerural.com