Relação de troca entre ureia e milho é a pior desde 2008

O forte aumento gera preocupações em virtude de seu impacto sobre os custos da safrinha de milho — a segunda maior cultura agrícola do país.

O preço do gás natural, matéria-prima importante para a produção de fertilizantes nitrogenados e fosfatados, ensaiou uma baixa em meados de outubro, mas continuou em patamares elevados em comparação com anos anteriores — e voltou a subir no início de novembro. Mas, apesar do movimento, as cotações internacionais de insumos agrícolas como a ureia seguiram trajetória de alta.

Em outubro, o preço desse fertilizante, um nitrogenado bastante utilizado nas lavouras, subiu 55% em relação a setembro. No ano, a ureia já acumula alta de 185%, tendo alcançado US$ 708 a tonelada em no mês passado (preço em Yuznhy, Ucrânia).

O forte aumento gera preocupações em virtude de seu impacto sobre os custos da safrinha de milho — a segunda maior cultura agrícola do país, atrás da soja, que está em fase de plantio –, comenta o pesquisador Mauro Osaki, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea, Esalq USP).

Entre janeiro e outubro, o cereal subiu 24% em Chicago, variação bastante inferior à da ureia nesse período, registra Osaki. O valor médio mensal do contrato de milho de primeira posição passou de US$ 203 a tonelada em janeiro para US$ 211,2 no mês passado.

Hoje, o produtor de milho precisa de 3,35 toneladas do grão para comprar 1 tonelada de ureia. Essa relação de troca é duas vezes maior do que a média de outubro do ano passado — e o maior valor desde setembro de 2008.

Amônia

O gás natural é matéria-prima da amônia, que por sua vez dá origem a produtos como ureia (nitrogenado), MAP e DAP (fosfatados). A amônia líquida já acumula aumento de 230% no ano (US$ 698 a tonelada em outubro), uma valorização que tem impactado os custos das indústrias químicas e de fertilizantes.

Nos primeiros dias de novembro, o gás natural seguiu em alta. À medida que o inverno no Hemisfério Norte avança (e o consumo de energia também), a tendência é de valorização do insumo energético.

Fonte: Valor Econômico.

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