Relação do estresse térmico & fertilidade das vacas

Relação do estresse térmico & fertilidade das vacas

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estresse
Foto Divulgação.

O estresse térmico afeta negativamente a produção de leite, fertilidade e bem-estar das vacas, mas, é possível reduzi-lo.

Porém, descobertas recentes mostram que mesmo com o uso de medidas de resfriamento intensivas no verão, a temperatura corporal do animal aumenta por alguns períodos durante o dia, provocando um quadro de hipertermia.

O padrão de temperatura corporal da vaca durante o dia reflete em grande parte os resultados dos esforços conjuntos para manter as vacas em temperatura corporal normal. De um lado, a ativação de mecanismos de dissipação de calor pela vaca e, por outro lado, o uso de sistemas intensivos de resfriamento pelo agricultor.

Nos últimos anos houve uma melhora significativa na produção de leite no verão, porém, a otimização na fertilidade foi relativamente pequena. Ao que tudo parece, para evitar a diminuição da produção de leite no verão, é suficiente garantir que as vacas estejam em condições normais de temperatura corporal por algumas horas por dia. Mas, para que as vacas alcancem taxas de concepção semelhantes às alcançadas no inverno, o resfriamento deve permitir que as vacas mantenham temperaturas corporais normais durante quase todas as 24 horas.

A “qualidade” do tratamento de resfriamento pode ser testada monitorando a temperatura corporal do animal por 24 horas/dia e quantificando o número de horas acumuladas em que a temperatura corporal da vaca ultrapassa 39ºC.

Pesquisadores do Ministério da Agricultura de Israel, encabeçados pelo Dr. Eran Gershon, realizaram recentemente um estudo de campo para examinar a relação entre as horas acumuladas/dia nas quais as vacas estavam em uma temperatura corporal acima do nível limiar e a taxa de concepção para as inseminações realizadas no verão. O estudo ocorreu em 12 fazendas leiteiras, localizadas em diferentes partes de Israel e incluiu 36 vacas em cada fazenda.

O estado térmico das vacas foi determinado monitorando continuamente a temperatura corporal por meio dos registradores de dados inseridos na vagina da vaca, que mediam a temperatura a cada 10 minutos. O monitoramento contínuo da temperatura da vaca permitiu a quantificação do número de horas acumuladas durante o dia em que a temperatura corporal foi maior do que 39ºC.

Os pesquisadores calcularam o número médio de horas acumuladas por dia que as vacas em cada fazenda estavam em temperaturas corporais superiores aos seguintes limiares: 39,0, 39,2, 39,4°C. O número médio de horas acumuladas foi utilizado para estimar o “estado térmico” das vacas em cada fazenda. O número de horas acumuladas durante o dia acima de diferentes limiares de temperatura corporal é mostrado na Tabela 1, onde as fazendas foram classificadas (ordem crescente) de acordo com o número médio de horas acumuladas acima da temperatura corporal de 39,4ºC. Os coeficientes de correlação entre o número acumulado de horas nos três limites de temperatura corporal testados foi muito alto e significativo (variando entre 0,96 e 0,98).

Tabela 1. Número médio de horas acumuladas em que a temperatura corporal das vacas foi maior do que os limiares, nas diferentes fazendas leiteiras.

Para examinar o efeito do estado térmico da vaca por fazenda na taxa de concepção para todas as inseminações administradas durante os meses, as fazendas foram classificadas em três grupos diferentes de quatro fazendas cada, com base no número médio de horas acumuladas acima do limite de 39,4ºC. As fazendas foram classificadas com estado térmico leve, médio e pesado. A taxa de concepção de todas as inseminações em cada grupo de fazendas é mostrada na Tabela 2.

Tabela 2. O efeito do estado térmico das vacas no verão, na taxa de concepção (%) de todas as inseminações.

Na tabela 2 é possível observar que o estado térmico das vacas tem um efeito negativo na taxa de concepção. No grupo de ‘status térmico light’ (as fazendas em que o número de horas acima do limite de temperatura de 39,4ºC foi menor), a taxa de concepção para todas as inseminações foi de 33%, em comparação com 24% e 20% (p <0,05) em fazendas com estado térmico médio e pesado, respectivamente.

O efeito do estado térmico sobre a taxa de concepção de todas as inseminações diferiu nos diferentes grupos de lactação. Surpreendentemente, o efeito mais negativo foi encontrado nas novilhas de primeira cria (diminuição de 51% entre grupos leves e pesados) e a menor nas vacas mais velhas (uma diminuição de 19%).

Em resumo, um efeito negativo e significativo foi encontrado entre o estado térmico das vacas no verão, caracterizado pelo número de horas acumuladas em que as vacas ficam acima da temperatura corporal limiar e sua taxa de concepção. Um tratamento de resfriamento de “boa qualidade” é necessário para manter as vacas em conforto térmico a fim de alcançar boa fertilidade no verão. Como pode ser visto neste estudo, há fazendas produtoras de leite em Israel capazes de atingir esse objetivo.

Autor: Israel Flamenbaum Tel Aviv – Tel Aviv – Israel Especialista no estudo do estresse térmico em vacas leiteiras, professor na Hebrew University of Jerusalém, tem ministrado cursos e treinamentos sobre o assunto em diversos países.

Fonte: MilkPoint

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