Resumo 2016, como pecuária reagiu à crise e relação boi x bezerro

Resumo 2016, como pecuária reagiu à crise e relação boi x bezerro

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mercado do boi gordo touros nelores
Foto: Reprodução

RETROSPECTIVA 2016 – Em 2016, o setor pecuário teve como principal desafio o mercado doméstico. A crise econômica, a inflação ainda elevada e o desemprego recorde limitaram o consumo de carne bovina e resultaram em quedas nos preços reais de todos os elos da cadeia. Quanto ao mercado internacional, o volume exportado ficou aquém do esperado pelo setor.

Dentro da porteira, pecuaristas criadores, após registrarem preços recordes em 2015, sentiram o enfraquecimento na demanda em 2016 e o consequente recuo nos valores de venda dos animais. Confinadores, por sua vez, se depararam com patamares recordes da ração, mas os que investiram em tecnologia e em boa comercialização estiveram muito satisfeitos com os resultados. Para o boi gordo, os valores nominais subiram, mas ainda muito abaixo da inflação – em termos reais, verifica-se queda em 2016.

BEZERRO – Após atingir recorde real em abril de 2015, de R$ 1.570,00/cabeça (deflacionado pelo IGP-DI de novembro/16), o preço médio do bezerro (Indicador ESALQ/BM&FBovespa – Mato Grosso do Sul) caiu nos últimos meses de 2016. Em dezembro, o valor médio do Indicador ficou 6,2% menor que o do mesmo mês de 2015, em termos nominais. Em termos reais, a média recuou 12%.

BOI GORDO – Mesmo diante da baixa oferta de animais para abate na maior parte do ano, os preços da arroba atravessaram 2016 sem registrar reações expressivas. Ao longo de todo o ano, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa do boi gordo (estado de São Paulo) oscilou entre R$ 147,38 e R$ 159,49, apenas. A média do Indicador em dez/16 superou em 1,7% a de dez/15, em termos nominais. Quando considerados os efeitos da inflação, no entanto, a média ficou 4,4% abaixo.

CARNE – Os valores da carcaça casada bovina atingiram patamares nominais elevados em 2016 no atacado da Grande SP, com o produto sendo negociado acima da cotação da arroba em janeiro, setembro e outubro, cenário incomum. Por outro lado, a fraca demanda doméstica limitou os avanços de preços da carne. Em dezembro/16, o preço médio da carcaça casada do boi esteve 4,1% maior que o do mesmo mês de 2015, em termos nominais. Considerando-se os efeitos da inflação, contudo, a média caiu 2,1%.

IBGE – Confirmando os relatos de agentes consultados pelo Cepea de baixa oferta nacional de boi gordo no correr do último ano, dados do IBGE indicam que o volume de animais abatidos de janeiro a setembro foi de 22,25 milhões de cabeças, 3,05% inferior ao do mesmo período de 2015. No último trimestre, especificamente (de julho, agosto e setembro), a quantidade abatida somou 7,32 milhões de cabeças, 3,51% a menos que no mesmo período do ano anterior.

EXPORTAÇÕES – O Real mais valorizado em 2016 e a diminuição na demanda de alguns países, especialmente dos dependentes de petróleo, limitaram os embarques nacionais. Em 2016, segundo dados da Secex, o Brasil embarcou 1,076 milhão de toneladas de carne in natura, 0,3% abaixo do volume exportado em 2015. A receita em dólar caiu 6,8%, totalizando US$ 4,344 bilhões.

Estatísticas

Fonte: CEPEA/ESALQ
Fonte: CEPEA/ESALQ
Fonte: Cepea – Esalq/USP – *Médias mensais; cotações à vista (CDI).

Fonte Cepea ESALQ

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