A criação de suínos está crescendo a passos largos, saber onde estão os gargalos da criação é fundamental para se ter sucesso nessa atividade que se mostra cada dia mais lucrativa.

A carne suína é a mais consumida no mundo, embora tenha restrições em alguns países devido aos hábitos, proibições religiosas e dogmáticas (GERVASIO, 2013). A despeito da crença de que carne suína é prejudicial à saúde, é uma carne magra e contém nutrientes semelhantes aos das demais carnes (ABIPECS, 2014; VALLE, 2000).

Sua relevância vem da crescente demanda nacional e internacional, que torna a exportação de carne suína um dos nichos que mais tem crescido nos últimos anos. Em 2013 o país foi o quarto maior exportador mundial, com um total de 600 mil toneladas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, União Europeia e Canadá, de acordo com Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (ABPA, 2014).

Outra constatação é que, entre 1996 e 2004, houve uma retração na produção de suínos em quase todos os Estados, exceto Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, que mantiveram aumentos regulares nos seus rebanhos. Os Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, São Paulo e Bahia têm permanecido no grupo dos oito maiores desde 2008. Nestes últimos cinco anos, os Estados do Sul e Minas gerais vem consolidando-se como os principais produtores de suínos.

Dentro do atual contexto que está a evolução do mercado suíno, bem como o aumento da tecnologia utilizada na sua criação, o Sebrae realizou uma analise que possibilitou mapear os pontos fortes e fracos e as condições potencialmente favoráveis ou desfavoráveis para criação e comercialização de suínos.

Potencialidades

  • Melhorias em função de pesquisa genética e cruzamento de raças;
  • Carnes magras;
  • Produção mais cuidadosa, apoiada por assessoria técnica, veterinária e nutricional;
  • Carne de sabor agradável e de ótima aceitação tanto no Brasil quanto no resto do mundo;
  • Controle sanitário minimizando doenças anteriormente frequentes, geradas pelo consumo da carne suína;
  • Casos de sucesso pelo desenvolvimento de Unidades Produtoras de Leitões (UPLs);
  • Produção da ração na própria propriedade, o que reduz os custos finais;
  • Os embutidos são o ingrediente principal do prato mais típico do Brasil, a feijoada.

Fragilidades

  • Produção descuidada e sem higiene por muitos anos fortaleceu imagem de produto prejudicial à saúde;
  • Alto teor de gordura existente na carne de porco tradicional;
  • Falta de controle sobre parasitas pode desencadear processos de epidemia como no passado (peste suína);
  • Falta de capital dos produtores diminui o desenvolvimento de marcas próprias;
  • Contaminação ambiental pelo tratamento não adequado dos dejetos;
  • Preço final mais alto em função da utilização ineficaz da carne;
  • Embutidos apresentam alta concentração de sal, o que não é recomendado em dietas saudáveis.

Oportunidades

  • Os avanços tecnológicos contribuíram para que os produtores deixassem de produzir “carne de porco” para produzir “carne suína magra e saudável”;
  • Não há necessidade de grandes investimentos na infraestrutura da granja para conversão da produção para o modelo “carne magra”;
  • Preocupações não só com o que é saudável, mas também com a estética, tornam-se cada vez mais frequentes e importantes para o consumidor do suíno light;
  • Uso do arroz (que tem menor variação de preço) como alternativa à ração a base de milho;
  • Pesquisas genéticas progridem a cada dia e já apresentam melhoramento da carne de porco como reflexo destes avanços;
  • Produção desenvolvida via Unidades Produtoras de Leitão (UPLs)
  • Uso inteligente de toda a carcaça, desde o couro até cortes especiais;
  • Consumidor é ávido por novidades gastronômicas e principalmente pelo consumo “sem culpa”, como no caso de carnes magras;
  • Restrição da União Europeia à importação da carne bovina brasileira pode abrir espaço para a exportação de suínos, desde que estes atendam às crescentes exigências dos países compradores (controle de qualidade, sanitário, etc);
  • Procura por produtos artesanais, caseiros, diferentes daqueles produzidos pelas grandes indústrias;
  • Possibilidade de integração vertical: criador + fabricante de embutidos.

Ameaças

  • Preconceito cultural em relação à carne de porco (imagem ligada ao colesterol “ruim”);
  • Doenças resultantes do consumo de carne de porco sempre estiveram presentes na realidade nacional, principalmente em função da falta de asseio na produção e no manuseio da carne;
  • Baixas barreiras de entrada;
  • Aumento no consumo de produtos vegetais e redução no consumo de derivados de carne;
  • Geração saúde percebe carnes brancas, derivadas de peixe e frango, como mais saudáveis do que a suína;
    Embutidos derivados de outras carnes (peru, frango, peixe) são vistos como mais saudáveis;
  • Concorrência do mercado externo, principalmente a China;
  • Elevação das barreiras alfandegárias e sanitárias por parte de grandes consumidores mundiais.

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