
Manutenção dentária equina garante o bem-estar do cavalo, ajuda a previnir a cólica, perda de peso e queda no rendimento.
Cavalos são animais extremamente dependentes da saúde bucal para o seu desenvolvimento. Ao contrário de cães e gatos, sua dentição está em constante crescimento e desgaste, exigindo acompanhamento especializado ao longo da vida. A falta de cuidados odontológicos pode comprometer a mastigação, reduzir a digestibilidade dos alimentos, provocar cólicas e até afetar o comportamento do animal. Por isso, a odontologia preventiva realizada por um médico veterinário é considerada hoje indispensável no manejo equino.
A boca do cavalo é responsável pelo primeiro passo do processo digestivo. Quando a mastigação é ineficiente, todo o sistema é prejudicado. Animais com dentes saudáveis aproveitam melhor a ração, evitam perdas de peso e apresentam mais disposição para treinos e competições. Já os que sofrem com dor ou má oclusão podem se tornar agressivos, rejeitar a embocadura e até desperdiçar alimento.
Entre os principais benefícios da manutenção odontológica estão:
- Melhora da nutrição e digestão – alimentos bem triturados reduzem o risco de cólicas e aumentam a absorção de nutrientes.
- Maior desempenho atlético – cavalos sem dor têm mais energia e disposição.
- Prevenção de comportamentos indesejados – a dor pode levar a resistência a comandos ou irritabilidade.
- Conforto e bem-estar – evita ferimentos em língua, gengiva e bochechas.
- Menor desperdício de ração – mastigação correta reduz a perda de alimento no cocho.
A recomendação geral é que potros passem por avaliação odontológica a cada seis meses, enquanto cavalos adultos podem ser acompanhados anualmente. Porém, fatores como manejo, dieta e histórico de problemas dentários podem exigir intervalos menores.
Entre os procedimentos mais comuns realizados por veterinários especializados estão:
- Desgaste de pontas dentárias que causam ferimentos;
- Remoção de capas dentárias;
- Tratamento de cáries e inflamações;
- Avaliação e correção da oclusão.
Alguns sinais indicam que o cavalo pode estar sofrendo com a saúde bucal:
- Dificuldade para mastigar ou engolir;
- Perda de peso ou dificuldade para ganhar massa;
- Rejeição da embocadura;
- Presença de alimentos inteiros nas fezes;
- Cólica recorrente.
Além do tratamento, os dentes também permitem estimar a idade do cavalo. Isso é possível a partir de características como o ângulo dos dentes, marcas nos incisivos e presença do sulco de Galvayne. A face oclusal dos dentes, por exemplo, sofre alterações com o tempo:
- Oval (6 a 12 anos);
- Arredondada (12 a 17 anos);
- Triangular (18 a 24 anos);
- Oval longitudinal (24 a 30 anos).

Essas mudanças ajudam criadores e veterinários a controlar com mais precisão a fase de vida do animal.
O manejo moderno, baseado em rações concentradas, modificou o padrão alimentar dos equinos. Esse hábito reduziu o tempo de mastigação e aumentou os movimentos verticais, favorecendo má oclusão e desgaste irregular dos dentes. Entre as consequências estão:
- Fraturas e perdas dentárias;
- Crescimento excessivo dos dentes;
- Lesões em língua, gengiva e bochechas;
- Distúrbios digestivos e falhas na absorção de nutrientes.
A odontologia preventiva equina não é luxo, mas sim parte essencial do manejo. Ela garante melhor aproveitamento da forragem, maior nível de bem-estar e desempenho atlético superior. O ideal é que cada criador adote um protocolo de avaliações periódicas, sempre com veterinários capacitados, para que seus animais possam expressar todo o potencial genético e esportivo.
Em resumo, levar o cavalo “ao dentista” é investir em saúde, conforto e longevidade. É uma prática que protege o animal de problemas sérios e assegura que ele viva de forma plena, com nutrição adequada e desempenho máximo.
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