Software permite identificar espécies da fauna por pelos

Software permite identificar espécies da fauna por pelos

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Pelos de capivaras podem ajudar a identificar a espécie
Pelos de capivaras podem ajudar a identificar a espécie

A inovação foi divulgada no início de setembro, com a publicação “Software Fauna Online: módulo tricologia” pela Embrapa Pantanal (MS).

Já foi disponibilizado pela Embrapa Pantanal o software Fauna Online: Tricologia, um sistema que permite identificar animais da fauna brasileira por meio de pelos.

Tricologia é o ramo da ciência que estuda os pelos de mamíferos, bem como os problemas relacionados a eles. Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG) e Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Fauna Online é o primeiro programa com essa finalidade disponível para consulta online e foi registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

A inovação foi divulgada no início de setembro, com a publicação “Software Fauna Online: módulo tricologia” pela Embrapa Pantanal (MS).

Uma das autoras, a zootecnista Gisele Aparecida Felix, explica que a identificação de espécies é aplicável no controle da qualidade de alimentos destinados ao consumo humano e para apoiar laudos forenses. “Cientificamente, a identificação tricológica é bastante significativa para pesquisas taxonômicas, ecológicas, paleontológicas, arqueológicas, levantamento de mamíferos de determinada área, avaliação da dieta de carnívoros, averiguação de predação em animais domésticos e caracterização racial”, afirmou Gisele.

O trabalho também tem como autores o pesquisador Ubiratan Piovezan e o analista Cláudio Pereira Flores, da Embrapa Pantanal; a bióloga Juliana Quadros, professora da UFPR; e a professora Maria Clorinda Soares Fioravanti, professora da UFG.

O software ainda funciona em caráter experimental. A base de dados prevê o acesso a características de aproximadamente 70 animais, mas nem todos estão disponíveis nessa fase inicial. O usuário deve informar características dos pelos previamente definidas e percorrer um caminho que chega à identificação da espécie. Toda a metodologia está descrita na publicação, que pode ser acessada aqui.

Para utilizar o programa, o interessado deve ter acesso à internet, fazer a coleta e preparação de pelos guarda de mamíferos para identificação em microscopia ótica e ter disponível um microscópio para análise do pelo.

Pelos guarda são aqueles que apresentam ao longo de seu comprimento duas porções principais: a haste (ou talo, que é a parte livre que sai sobre a pele) e o escudo (parte mais dilatada do pelo que se encontra na extremidade oposta à raiz). A haste é a porção que se segue ao bulbo (parte mais profunda da raiz localizada abaixo da pele) do pelo e o escudo é a parte que fica entre a haste e a extremidade distal do pelo.

Os pelos estão presentes na pelagem de todos os mamíferos. Essas estruturas podem ser divididas em duas grandes categorias: os pelos guarda e os subpelos.

Os pelos guarda, que são utilizados na tricologia para identificação das espécies e raças, apresentam na pelagem função mecanorreceptora (sensorial) e os subpelos contribuem para a termorregulação do corpo e proteção contra a penetração de água. Na grande maioria dos casos os subpelos são inúteis na identificação de amostras desconhecidas, pois são semelhantes entre espécies diferentes.

De acordo com Gisele, o programa conta com uma interface que possui fotos de pelos guarda, com cada característica destacada para identificação. Por enquanto, o software pode ser acessado aqui, mas em breve ele estará mais completo e poderá ser acessado também pelos portais das duas universidades.

Futuro

Em um futuro próximo, o Fauna Online poderá atender também às demandas do setor produtivo, com a ampliação da base de dados, inserindo padrões de animais domésticos de produção. Essa inovação se mostrou um método útil para identificação racial de bovinos.

A precisão e robustez da análise tricológica foi confirmada pela comparação dos dados com análise de estrutura genética onde os resultados obtidos indicaram que ambas as técnicas são similares no ponto de vista de classificação dos indivíduos dentro dos grupos raciais.

Esse estudo foi realizado numa parceria entre a Embrapa Pantanal e o curso de pós-graduação em Ciência Animal da Universidade Federal de Goiás em forma de uma tese de doutorado, orientada pela professora Maria Clorinda e coorientada por Ubiratan Piovezan.

Gisele Felix defendeu seu doutorado em junho de 2016 e o tema de sua tese foi “Identificação de raças bovinas brasileiras por meio de análise tricológica”.

O potencial de utilização dessa análise para outras espécies de mamíferos de interesse para a produção animal deve ser estudado uma vez que se trata de um método simples, de baixo custo e pouco invasivo e seu uso pode se expandir não só para a área de caracterização racial como também para as áreas de rastreabilidade e inspeção forense.

Fonte: Embrapa