Uma planta que atinge até seis metros em apenas 180 dias é uma alternativa interessante para uma das grandes demandas da atualidade, a geração de energia

Trata-se de um tipo de sorgo que apresenta rápido crescimento e alto potencial produtivo. O chamado sorgo biomassa tem sido pesquisado pela Embrapa e apresenta qualidade para gerar energia com poder calorífico similar ao da cana, do eucalipto e do capim-elefante.

O material pode ser utilizado em usinas termelétricas, como também em indústrias que utilizam caldeiras e geram energia para consumo próprio. O pesquisador André May da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas, MG) explica que o material se mostra mais econômico por fornecer muita massa num curto intervalo de tempo. Chega a produzir 150 toneladas de matéria fresca por hectare. Além disso, o sorgo biomassa é vigoroso, resistente a pragas e a doenças.

Rafael Parrella, pesquisador da Embrapa na mesma Unidade, destaca que a cultura é totalmente mecanizável. “Plantio, manejo cultural e colheita são feitos com uso de máquinas. Diferentemente da cana e do capim-elefante, que têm plantio com estacas, o sorgo biomassa é propagado por sementes, o que facilita a implantação das áreas.”

Parrella é melhorista e tem avaliado cultivares de sorgo biomassa. “Avaliamos híbridos experimentais em vários locais, onde há demanda por matéria-prima para cogeração de energia. Analisamos produtividade e adaptação a diferentes ambientes no Centro-Oeste, Sudeste e Sul do País”, explica.

Nova cultivar

A partir das pesquisas realizadas, foi gerado o primeiro híbrido de sorgo biomassa desenvolvido pela Embrapa: o BRS 716. O material já está registrado no Ministério da Agricultura para comercialização.  “Desenvolvido para cogeração de energia por meio da queima de biomassa, o híbrido apresenta alta produtividade, em média, de 120 a 150 toneladas de matéria fresca por hectare. Tem ciclo curto, de seis meses, e porte entre cinco e seis metros de altura”, conta Parrella, ressaltando que o material possui boa sanidade, resistência ao acamamento e adaptação ampla  a  diferentes regiões do Brasil.

O pesquisador explica que o BRS 716 tem biomassa com alto teor de fibra (de 22 a 28%) e baixo teor de umidade (em torno de 50%). “É essa a média de umidade que interessa a muitas usinas termelétricas, pois as caldeiras foram projetadas para fazer a queima com esse percentual, que é similar ao de outras fontes de biomassa, como o bagaço de cana”, comenta Rafael.

A Embrapa Produtos e Mercado dispõe de sementes do novo híbrido para comercialização. O analista Marcelo Dressler explica que o público-alvo do negócio são empresas interessadas em realizar testes de produção e análises de desempenho do material na geração de energia elétrica.

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Foto: Marina Torres / Embrapa

Fontes alternativas de energia

A demanda crescente por energia tem levado à busca por fontes alternativas. Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram o aumento do total de energia demandada no País, que atingiu 296,2 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (MTep) em 2013, acréscimo de 4,5% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, por causa da escassez de chuvas, houve redução da oferta de energia proveniente das hidrelétricas.

Por consequência, tem ocorrido um aumento de geração de energia térmica, e uma opção que se mostra cada vez mais importante é o uso de biomassa. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, “pode ser considerado biomassa todo recurso renovável que provém de matéria orgânica e tem por objetivo principal a produção de energia”. Uma das vantagens da biomassa é que seu aproveitamento pode ser feito diretamente, por meio da combustão em fornos e caldeiras.

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Foto: Marina Torres / Embrapa

Atualmente, a biomassa vem sendo bastante utilizada na geração de eletricidade, principalmente em sistemas de cogeração (produção combinada de calor e  eletricidade).

Sistema de produção

Uma das principais vantagens do sorgo biomassa em relação a outras plantas usadas na geração de energia é seu rápido crescimento. “Com esse sorgo pode-se ter produção anual, enquanto outras plantas, como o eucalipto, demoram cerca de cinco anos”, explica Parrella. Segundo o pesquisador, o eucalipto produz cerca de 100 toneladas de matéria seca por hectare em cinco anos. Já o sorgo biomassa produz cerca de 40 toneladas por hectare, porém, em apenas seis meses.

Temperaturas mais elevadas e dias mais longos são mais favoráveis para o crescimento do sorgo biomassa. Por isso, a recomendação é de que o plantio seja feito de outubro a novembro.  A colheita ocorre de março a abril. Dessa forma, a planta complementa a oferta de matéria-prima no período de entressafra da cana-de-açúcar, quando não há mais bagaço de cana para queima e geração de energia nas usinas.

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Foto: Marina Torres / Embrapa

Pesquisas conduzidas pela Embrapa atualmente avaliam alguns ajustes no sistema de produção do sorgo biomassa. “Estamos analisando ajustes de espaçamento, densidade e fertilidade de solo para potencializar a produtividade da cultura”, explica Parrella. Também estão sendo avaliadas melhorias na colheita e no processamento do material. Além disso, têm sido realizados estudos para reduzir a umidade do sorgo biomassa, a fim de permitir colheitas mais precoces.

Parceria

A Embrapa Milho e Sorgo e a empresa Energias Renováveis do Brasil (ERB) têm integrado esforços em trabalhos de avaliação agroindustrial de sorgo para geração de energia. O contrato da parceria técnica foi firmado em abril de 2012 com o objetivo de avaliar materiais para produção de bioeletricidade e desenvolvimento de sistema de produção de biomassa.

O diretor-executivo da ERB, Emilio Rietmann, explica que a empresa tem foco em cogeração de energia e trabalha com a substituição de combustível fóssil por biomassa em plantas industriais. “A ERB tem como princípio a eficiência energética e o sorgo interessa por seu potencial como biomassa complementar”, afirma.

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Foto: Marina Torres / Embrapa

Potencial energético

A fim de avaliar a qualidade de materiais para gerar energia é medido o poder calorífico, ou seja, a quantidade de energia por unidade de massa liberada na queima de um determinado combustível. Existem duas medidas: poder calorífico superior (pcs) e poder calorífico inferior (pci). Confira, a seguir, o potencial de três culturas.

O sorgo e seus tipos

O sorgo é uma planta originária da África. Existem diferentes tipos de sorgo: granífero, forrageiro, para corte e pastejo, sacarino, vassoura e biomassa.

O granífero é um tipo de sorgo de porte baixo, que produz uma panícula (cacho) compacta de grãos. Nesse tipo de sorgo, o produto principal é o grão.

O forrageiro tem porte alto, muitas folhas, panículas abertas, com poucas sementes, elevada produção de forragem. É muito usado para produção de silagem.

O sorgo para corte e pastejo tem folhas abundantes. É utilizado como forragem fresca, para corte verde ou pastejo direto do gado.

O sacarino é um tipo de sorgo caracterizado, principalmente, por apresentar colmo doce e suculento como o da cana-de-açúcar. Seu caldo pode ser utilizado na produção de etanol.

O sorgo vassoura tem panícula com forma apropriada para produção de vassouras.

Via Embrapa

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