Sustentabilidade e rentabilidade não estão na contramão na produção de leite!

Recentemente foi realizada no PDPL uma análise da pegada de carbono do leite produzido nas fazendas assistidas e obtivemos resultados interessantes.

A sustentabilidade e rentabilidade caminham lado a lado para o sucesso da empresa rural.

Embora muitos técnicos e produtores ainda enxerguem práticas de sustentabilidade social e ambiental como um custo para sua fazenda, o que vemos na prática é exatamente o oposto. O tripé da sustentabilidade: social, ambiental e econômico andam na mesma direção e se complementam.

Recentemente foi realizada no PDPL uma análise da pegada de carbono do leite produzido nas fazendas assistidas e obtivemos resultados interessantes que corroboram com a ideia de que a sustentabilidade está diretamente correlacionada à eficiência produtiva e econômica!

Foram analisados dados de 20 fazendas usando a metodologia do “GHG Protocol Agropecuário” e os valores gerados através da “Ferramenta de Cálculo Brasil”, ambos desenvolvidos pela WRI (World Resources Institute), Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Essa ferramenta permite realizar uma análise de como está nossa emissão, e nos permite futuramente verificar o progresso em relação ao planejamento traçado de redução dos gases de efeito estufa (GEE).

Para produção de 1 Litro de leite essas fazendas emitiram *1,1 Kg de CO2 equivalente (*balanço entre emissão e mitigação, sem considerar área de reserva); dados nacionais oscilam de 1,2 a 3 Kg de CO2 equivalente por litro de leite, conforme diferentes fontes.

Na média, essas vinte fazendas tiveram uma pegada de carbono de 6.966,4 Kg de CO2 equivalente por vaca em lactação e 8.626,8 Kg de CO2 por área usada para pecuária. E mais de 50% das emissões são oriundas da emissão entérica!

Para uma melhor avaliação, as fazendas foram divididas em dois grupos: Maior emissão por litro de leite (1,4 Kg CO2 eq/Litro de leite) e Menor emissão por litro de leite (0,81 Kg de CO2 eq/ Litro de leite). A seguir, esses grupos foram comparados quanto a fatores de produtividade (vide: Tabela 1 –Emissão de CO2 eq X Produtividade). E os números encontrados demonstraram que a produtividade está intimamente relacionada à sustentabilidade!

Tabela 1 – Emissão de CO2 equivalente/ Litro de leite x Produtividade

Emissão de CO2 equivalente/ Litro de leite x Produtividade
Fonte: PDPL

As fazendas com menor emissão tiveram maior produtividade por Vaca em Lactação (VL) (22,07 L/VL/dia x 14,79 L/VL/dia) e por total de vacas (18,38 L/VL/dia x 12,95 L/VL/dia), um efeito de diluição, levando-se em conta principalmente a exigência de mantença proporcionalmente menor por litro de leite e também de eficiência alimentar da vaca.

A produção de metano é um subproduto da digestão dos alimentos fibrosos e estas vacas mais produtivas precisam ingerir menor quantidade de matéria seca para produzir o mesmo volume de leite.

Além disso, esse grupo apresentou maior produção por área (12.867,7 L/ha/ano x 4.948,75 L/ha/ano) e também correspondiam àquelas propriedades com melhor estrutura de rebanho (47,85% x 35,48%), ou seja, maior proporção de vacas em lactação em relação ao número total de rebanho.

Todos esses quatro fatores de produtividade estão intimamente relacionados à menor emissão, visto que numa mesma área tem mais vacas em lactação e essas vacas são mais produtivas.

Do ponto de vista técnico, a eficiência produtiva está diretamente relacionada com a menor emissão de GEE, mas e sobre a rentabilidade das fazendas? O impacto sobre os indicadores econômicos das fazendas podem ser vistos na tabela 2.

 Tabela 2 – Emissão de CO2 equivalente x Indicadores Econômicos

Emissão de CO2 equivalente x Indicadores Econômicos
Fonte: PDPL

As fazendas que mais ganharam dinheiro apresentaram margem líquida de R$ 0,48/L contra R$ 0,23/L do outro grupo, e são aquelas que apresentaram menor emissão por litro de leite, bem como apresentaram maior taxa de retorno do capital com terra (9,13% x 3,55%). 

Foto: Divulgação

E o que essas fazendas de menor emissão tinham em comum? Podemos resumir em uma palavra: eficiência! Não era o grau de sangue ou raça, tampouco o sistema de produção. A diferença entre esses dois grupos que poderíamos chamar de Mais rentável e Menos rentável era a eficiência no uso dos principais fatores de produção: Terra, Animais e Mão de obra.

Concluindo, a sustentabilidade e rentabilidade andam lado a lado, na mesma direção, e o que move as duas nada mais é do que a eficiência. 

Fonte: Milk´Point

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