Santa Catarina concentra os maiores volumes de chuva previstos até domingo; cenário também mantém Paraná e Rio Grande do Sul sob risco de tempestades, enquanto calor pode chegar a 40 °C e umidade despencar para 11% em outras áreas do Brasil
O Brasil entra nesta sexta-feira (14) sob um cenário meteorológico de fortes contrastes. Enquanto tempestades, chuva volumosa e possibilidade de fenômenos severos mantêm o Sul em atenção, uma extensa área do interior do país enfrenta calor intenso e umidade muito baixa. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) monitora, inclusive, a possibilidade de configuração de uma onda de calor em partes da Amazônia, Centro-Oeste, Sudeste e Paraná.
O ponto de maior atenção está entre Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Segundo o INMET, a combinação de uma área de baixa pressão no interior do continente, um cavado sobre o Sul e o transporte de umidade cria condições favoráveis à manutenção das instabilidades entre sexta-feira (14) e sábado (15). Em situações pontuais, as tempestades podem apresentar características de tempo severo.
A Climatempo também destaca a Região Sul como principal área de instabilidade nesta sexta-feira, com possibilidade de chuva moderada a forte, temporais e acumulados elevados, especialmente em Santa Catarina e em áreas do Paraná e do norte gaúcho.
Santa Catarina pode superar 80 mm de chuva
Um dos dados que mais chama atenção aparece na projeção de precipitação acumulada do modelo COSMO apresentada pelo INMET. Até as 0h de domingo (16), Santa Catarina concentra a área com previsão dos maiores acumulados de chuva, e o mapa meteorológico indica pontos com volumes superiores a 80 mm.
A Climatempo reforça esse cenário. A previsão aponta chuva forte e risco de temporais no centro-sul e leste do Paraná, em Santa Catarina e no norte do Rio Grande do Sul. No sul catarinense e em pontos do interior do estado, há preocupação adicional devido à possibilidade de acumulados elevados.
Para o produtor rural, volumes elevados concentrados em poucas horas merecem atenção principalmente em propriedades com áreas suscetíveis a alagamentos, estradas de terra, acessos a currais e instalações próximas a cursos d’água. O risco não está apenas no volume total, mas também na intensidade com que a precipitação pode ocorrer.
INMET não descarta microexplosões e tornados
O cenário ganha relevância porque o INMET cita expressamente a possibilidade de fenômenos meteorológicos mais severos.
A partir de sábado (15), a atuação do cavado deverá se concentrar principalmente sobre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, perdendo influência gradualmente sobre o Paraná. Nesse ambiente, o Instituto informa que não podem ser descartadas frentes de rajada, microexplosões e tornados.
Isso não significa que exista previsão de tornado para uma cidade específica. O próprio INMET ressalta que não é possível determinar previamente a localização exata desses fenômenos, devido à pequena escala espacial e temporal em que podem ocorrer. Por isso, o acompanhamento dos avisos meteorológicos atualizados ganha importância ao longo do período.
Na sexta-feira, há aviso laranja de perigo para tempestades abrangendo todo o estado de Santa Catarina, o centro-sul do Paraná e o extremo norte do Rio Grande do Sul. Entre as regiões citadas pelo INMET estão Curitiba, Foz do Iguaçu, Cascavel, Guarapuava, Ponta Grossa, Paranaguá, Pato Branco e Francisco Beltrão, no Paraná, além de áreas como Erechim, Vacaria e Frederico Westphalen, no Rio Grande do Sul.
Frente fria também muda o tempo no Sudeste
Enquanto o Sul enfrenta o núcleo mais intenso das instabilidades, uma frente fria de atuação predominantemente oceânica provoca mudança nas condições do tempo em parte do Sudeste.
Segundo a Climatempo, em São Paulo a passagem do sistema aumenta a nebulosidade e favorece chuva, começando pelo Vale do Ribeira, litoral sul e Baixada Santista e avançando posteriormente para outras áreas do leste paulista. Rajadas de vento podem variar entre 50 e 70 km/h no oeste e centro do estado.
O INMET mantém aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no sul paulista, especialmente na região de divisa com o Paraná. Para sábado, a tendência é de manutenção de maior nebulosidade na faixa leste do Sudeste, enquanto o interior volta a ter destaque pelo calor e pela baixa umidade.
Do excesso de chuva aos 40 °C
O contraste meteorológico fica ainda mais evidente no Centro-Oeste e em partes da Amazônia.
O modelo COSMO do INMET indica que as temperaturas máximas entre sexta e sábado podem superar 38 °C e atingir pontualmente 40 °C, especialmente na região central da Amazônia, em Mato Grosso, oeste de Goiás e norte de Mato Grosso do Sul.
O Instituto monitora a possibilidade de uma onda de calor, mas ressalta que ela ainda não está caracterizada. Para isso, seria necessário registrar temperaturas máximas pelo menos 5 °C acima da média durante cinco dias consecutivos, condição que ainda não havia sido observada pelas estações meteorológicas no momento da divulgação da previsão.
A Climatempo aponta que a atuação do veranico pode deixar as temperaturas entre 3 °C e 5 °C acima da média climatológica em determinadas áreas do Centro-Oeste.
Umidade pode cair a apenas 11%
Além do calor, a secura do ar passa a exigir atenção redobrada.
A projeção do INMET indica os menores índices de umidade relativa entre o Centro-Oeste, sul da Região Norte e partes do oeste do Sudeste. No centro de Goiás, a umidade mínima pode chegar a apenas 11%.
Para o agronegócio, essa combinação de temperaturas elevadas, vegetação seca e umidade extremamente baixa amplia as condições favoráveis à propagação de incêndios e exige atenção com atividades capazes de gerar faíscas ou fogo. Na pecuária, também aumenta a importância do acesso permanente dos animais à água e à sombra durante os períodos mais quentes.
Nordeste e Norte também têm áreas de atenção
No Nordeste, o cenário é dividido entre um litoral mais úmido e o interior quente e seco. A Climatempo prevê umidade entre 20% e 30% em áreas do interior, enquanto o INMET mantém aviso de baixa umidade abrangendo partes do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Bahia.
No Norte, as pancadas de chuva permanecem mais concentradas sobre Amazonas, Roraima e áreas próximas, enquanto Tocantins, sul do Pará e outras localidades enfrentam condições mais secas. A Climatempo destaca inclusive risco de temporais no noroeste de Roraima.
Assim, o fim de semana começa com dois extremos meteorológicos importantes para o produtor rural brasileiro: de um lado, chuva volumosa e risco de tempestades severas no Sul; de outro, temperaturas próximas de 40 °C e umidade extremamente baixa no interior do país.
A recomendação ganha peso principalmente em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, onde o ambiente atmosférico permanecerá favorável a tempestades. Como fenômenos severos localizados podem se desenvolver rapidamente, o acompanhamento dos avisos atualizados do INMET é fundamental durante as próximas horas.
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