Granizo, vendavais e chuva intensa provocam danos em 13 municípios catarinenses; seis pessoas estão desabrigadas e propriedades rurais também registram prejuízos, enquanto novas tempestades são previstas até terça-feira
A sequência de tempestades severas que começou com força no Rio Grande do Sul avançou sobre Santa Catarina e já deixa um rastro de danos antes mesmo de a atmosfera perder as condições favoráveis à formação de novos temporais.
Balanço atualizado pela Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina às 8h30 desta segunda-feira (28) contabiliza 954 habitações afetadas em 13 municípios, distribuídos por cinco regionais. Seis pessoas estão desabrigadas. Os danos estão relacionados principalmente à queda de granizo, vendavais e chuva intensa.
A situação ganha importância para o agronegócio porque o núcleo mais afetado está no Oeste catarinense, uma das regiões de maior concentração de produção agropecuária do país. Já existem registros de aviários danificados e dezenas de propriedades atingidas, enquanto municípios continuam levantando prejuízos no meio rural.
E o episódio ainda não terminou.
A previsão da Defesa Civil catarinense mantém risco de moderado a alto para novas ocorrências nesta segunda-feira, incluindo granizo, vendavais, chuva intensa, alagamentos, enxurradas, destelhamentos, quedas de árvores e interrupções na rede elétrica.
Seara concentra cerca de 600 casas atingidas
O município de Seara aparece até o momento como um dos mais afetados pelo novo episódio.
Uma tempestade acompanhada por granizo atingiu todo o território municipal e deixou aproximadamente 600 residências danificadas.
Também foram atingidos três postos de saúde, dez escolas e quatro edificações públicas municipais. Seis pessoas ficaram desabrigadas.
Seara decretou situação de emergência.
A dimensão dos prejuízos na área rural ainda estava sendo contabilizada durante a manhã desta segunda-feira.
Esse detalhe exige cuidado: não existe ainda um número consolidado que permita estimar perdas agropecuárias no município.
Granizo também chega às propriedades rurais
Os primeiros levantamentos, entretanto, já mostram que o impacto não ficou restrito às cidades.
Em São Domingos, a Defesa Civil contabilizou 37 habitações atingidas, cerca de 90 pessoas afetadas e danos em dois aviários.
Em Quilombo, 40 propriedades foram atingidas por granizo e vendaval.
Há ocorrências também em Arabutã, Santiago do Sul, Ponte Serrada, Faxinal dos Guedes, Vargeão, Brunópolis, Zortéa, Novo Horizonte, Formosa do Sul e Itá.
Os números permanecem preliminares.
Equipes municipais e regionais continuam percorrendo as áreas atingidas e atualizando os levantamentos.
Granizo chegou durante a madrugada em outras regiões
O avanço da instabilidade não ficou restrito ao Oeste.
Em Lages, a madrugada e o começo da manhã desta segunda-feira foram marcados por temporais e queda de granizo de pequeno porte.
Dados do Epagri/Ciram apontavam aproximadamente 17 milímetros de chuva acumulados até 8h23.
A Defesa Civil municipal manteve equipes em atenção diante da possibilidade de novos episódios ao longo do dia.
O que era previsão agora virou ocorrência
Essa é a principal mudança meteorológica desde o domingo.
Ontem, as projeções indicavam que as tempestades severas concentradas sobre o Rio Grande do Sul começariam a alcançar Santa Catarina nesta segunda-feira.
Agora, isso já é fato observado.
Granizo, vendaval e chuva intensa atingiram municípios catarinenses.
E o ambiente continua favorável a novos temporais.
A distinção é importante porque a previsão para as próximas horas precisa ser interpretada sobre uma área onde já existem estruturas danificadas e comunidades vulneráveis a uma segunda tempestade.
Risco continua alto nesta segunda-feira
A previsão elaborada pela Defesa Civil catarinense às 5h desta segunda-feira mantém o tempo instável em todas as regiões do estado.
Há possibilidade de tempestades acompanhadas por:
chuva intensa;
rajadas fortes de vento;
granizo;
raios.
O risco varia de moderado a alto para destelhamentos, queda de árvores e galhos, danos à rede elétrica, alagamentos e enxurradas.
No Oeste, antes das tempestades, as temperaturas ainda podem alcançar aproximadamente 32 °C, mantendo energia disponível na atmosfera para desenvolvimento das nuvens convectivas.
Terça-feira ainda será de atenção
O episódio não termina nesta segunda.
Na terça-feira (29), Santa Catarina continua com condições para tempestades.
As primeiras áreas de instabilidade tendem a aparecer próximas à divisa com o Rio Grande do Sul, especialmente no Planalto e Litoral Sul.
Nas demais regiões, a instabilidade volta a ganhar força principalmente entre a tarde e o começo da noite.
A Defesa Civil mantém risco alto para ocorrências associadas a temporais, incluindo granizo, vendavais, destelhamentos, quedas de árvores, alagamentos e enxurradas pontuais.
Cemaden mantém SC no mapa de risco
O cenário estadual é reforçado pela atualização do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais.
O boletim publicado às 2h52 desta segunda-feira classifica como moderada a possibilidade de eventos hidrológicos nas regiões intermediárias de Criciúma, Lages, Florianópolis, Blumenau e Joinville.
O Cemaden considera a possibilidade de volumes elevados de chuva em áreas de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Isso pode favorecer extravasamento pontual de córregos, enxurradas em áreas de declive e alagamentos urbanos.
Lages e Criciúma também aparecem sob risco geológico moderado, com possibilidade de deslizamentos pontuais e quedas de barreiras.
Rio Grande do Sul continua no centro do episódio
O avanço das tempestades sobre Santa Catarina não significa redução imediata do risco gaúcho.
Pelo contrário.
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul mantém áreas classificadas com risco severo para chuva intensa e volumosa.
A previsão indica possibilidade de mais de 170 mm em 24 horas em pontos da Campanha, Centro e parte dos Vales.
Nos Vales e Serra, os volumes podem chegar a 120 mm em 12 horas.
No acumulado do episódio entre domingo e terça-feira, áreas da Campanha e Centro podem superar 270 mm.
Esses valores são máximos previstos para pontos específicos, não médias estaduais.
O risco agora é regional
O comportamento das tempestades mostra uma progressão clara.
Primeiro, os temporais severos atingiram o Rio Grande do Sul.
Depois, alcançaram Santa Catarina.
O Paraná começa esta segunda-feira ainda com forte aquecimento em diversas áreas, mas a instabilidade também avança sobre o estado e já há registros de granizo.
Durante a terça-feira, a formação e o avanço de uma frente fria deverão ampliar as condições para temporais no Paraná.
Posteriormente, a instabilidade tende a alcançar Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Ciclone entra na evolução do sistema
Existe ainda outro componente atmosférico importante.
A área de baixa pressão que participa da organização das tempestades deverá se aprofundar entre terça e quarta-feira, favorecendo a formação de um ciclone extratropical associado a uma frente fria.
O termo “ciclone” não significa que todo o Sul será atingido diretamente por ventos extremos.
Neste caso, a preocupação imediata está principalmente na frente fria e nas tempestades associadas ao sistema, enquanto posteriormente o ciclone tende a se deslocar sobre o oceano.
Em Santa Catarina, sua presença em alto-mar deverá contribuir para agitação marítima na quarta-feira, com risco moderado para navegação e pesca.
Oeste catarinense merece atenção especial do agro
A localização dos danos torna o episódio especialmente relevante para o setor produtivo.
O Oeste catarinense possui forte presença de avicultura, suinocultura, produção de milho, leite e agricultura familiar.
Granizo e vento forte podem produzir impactos muito diferentes dependendo da propriedade.
Em lavouras, a preocupação está nos danos mecânicos provocados pelo gelo e pelo vento.
Em granjas, os principais riscos envolvem coberturas, estruturas, energia elétrica, ventilação e abastecimento de água.
O registro de dois aviários danificados em São Domingos mostra que essa ameaça já deixou de ser apenas hipotética.
Produtor deve priorizar segurança, não proteção de estruturas durante o temporal
Com novas tempestades previstas, a recomendação oficial é evitar exposição durante os períodos de tempo severo.
A Defesa Civil orienta procurar local abrigado, afastado de janelas e de objetos que possam ser arremessados pelo vento.
Durante vendavais, deve-se evitar permanecer próximo a árvores, placas, muros e postes.
Em situações de alagamento, a orientação é não atravessar ruas inundadas, pontes ou pontilhões submersos.
Para propriedades rurais, a prevenção deve ocorrer antes da chegada da tempestade.
Não é seguro tentar proteger telhados, máquinas ou estruturas enquanto houver granizo, raios ou rajadas intensas.
O que é fato e o que ainda é previsão
Fato observado: temporais com granizo, vendaval e chuva intensa já atingiram Santa Catarina.
Fato observado: o balanço estadual das 8h30 registra 954 habitações afetadas em 13 municípios e seis pessoas desabrigadas.
Fato observado no agro: existem registros de dois aviários danificados em São Domingos e 40 propriedades atingidas em Quilombo.
Alerta: Santa Catarina permanece sob risco de moderado a alto para novas ocorrências relacionadas a tempestades nesta segunda-feira.
Previsão: novas tempestades continuam possíveis durante terça-feira.
Tendência: uma frente fria avança posteriormente em direção ao Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo, enquanto um ciclone extratropical se organiza e depois tende a atuar sobre o oceano.
A tempestade mudou de estado, mas ainda não terminou
A grande mudança desta manhã está justamente aí.
O Compre Rural mostrou ontem que a semana começaria com chuva excessiva no Sul e avanço dos temporais para Santa Catarina e Paraná.
Na manhã desta segunda-feira, essa previsão começou a se materializar.
Santa Catarina já contabiliza quase mil residências afetadas, municípios em situação de emergência e os primeiros danos confirmados em estruturas rurais.
Enquanto isso, o Rio Grande do Sul continua sob risco severo e o Paraná começa a entrar na rota das tempestades.
O episódio deixou, portanto, de ser uma ameaça concentrada no território gaúcho.
O risco de tempo severo agora atravessa a Região Sul — e a atmosfera ainda possui condições para produzir novas tempestades antes de o sistema finalmente avançar para o oceano.
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