Cabanha Azul, referência na seleção de bovinos de raças britânicas, foi atingida na divisa entre Quaraí e Uruguaiana; chuva também molhou estoques de ração, ureia e sementes de arroz
Um temporal atingiu a Cabanha Azul, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, e deixou um cenário de destruição em uma propriedade cuja trajetória se confunde com a história do melhoramento genético da pecuária brasileira. A força dos ventos destruiu galpões e atingiu dois automóveis de funcionários na divisa entre os municípios de Quaraí e Uruguaiana.
Além dos danos às construções e aos veículos, a chuva molhou sacos de ração, ureia e sementes de arroz armazenados na propriedade. Não houve registro de pessoas feridas, segundo as informações divulgadas sobre a ocorrência. O episódio foi noticiado na quinta-feira, 8 de outubro.
Ventos destruíram estruturas e expuseram insumos à chuva
As imagens da propriedade mostram estruturas de cobertura desabadas, peças espalhadas pelo terreno e materiais armazenados expostos ao tempo. Os dois carros atingidos pertenciam a funcionários e ficaram esmagados.
As informações disponíveis não apresentam uma estimativa financeira dos prejuízos, nem detalham quanto dos insumos molhados poderá ser recuperado. Também não há, na reportagem que documentou os danos à cabanha, um balanço sobre eventuais perdas no rebanho.
Para a operação de uma fazenda, danos dessa natureza podem gerar consequências que vão além da reconstrução dos galpões. A exposição de estoques à água e a perda de espaços de armazenamento podem exigir reorganização das atividades, avaliação dos materiais atingidos e despesas adicionais para manter a rotina produtiva.
Uma história que atravessa gerações da pecuária
A dimensão histórica da Cabanha Azul dá outro peso ao episódio. Suas origens remontam ao início do século XX, quando João Vieira de Macedo iniciou a formação do empreendimento na região da fronteira com o Uruguai.
Registros históricos de criatórios ligados a essa trajetória situam por volta de 1906 a introdução de animais britânicos, entre eles Angus e Hereford, com o objetivo de melhorar características de carcaça e precocidade. Naquele período, a seleção dependia principalmente da observação dos animais e da experiência dos criadores e técnicos.
Nas décadas seguintes, o trabalho ganhou projeção com Lauro Macedo. Premiações em exposições de Angus, Hereford e Devon ajudaram a consolidar o nome da cabanha e atraíram compradores de reprodutores. A trajetória também esteve ligada à organização de leilões para concentrar a comercialização dos animais, contribuindo para a difusão desse modelo de negócios na pecuária.
Temporal atingiu uma região que também enfrenta cheia
Os estragos ocorreram em meio a um quadro de dificuldades climáticas na Fronteira Oeste. Segundo a Prefeitura de Uruguaiana, uma tempestade começou por volta de 0h30 de quinta-feira, 8 de outubro. O município registrou 66,2 milímetros de chuva e ventos de até 88 km/h, além de quedas de árvores e destelhamento de um galpão na divisa com Quaraí. Esses números são referentes a Uruguaiana e não representam uma medição específica dentro da Cabanha Azul.
No mesmo boletim, a administração municipal informou que 160 pessoas estavam fora de casa em razão da elevação do Rio Uruguai, sendo 27 desabrigadas e 133 desalojadas. A combinação de tempestades e cheia amplia as dificuldades de uma região onde a atividade agropecuária tem forte presença.
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