Suresh Devang deixou seu cargo na área de tecnologia da informação na Califórnia para se dedicar à agricultura orgânica na Índia.
A família reagiu com ceticismo: não compreendia por que alguém em posição sênior abriria mão do conforto para trabalhar em um setor marcado por riscos e endividamento.
Ainda assim, quatro anos depois, Devang havia provado seu mérito como agricultor e gerado lucros consistentes.
Devang encontrou seu verdadeiro propósito, embora seus pais ainda não estivessem totalmente convencidos.
O caminho que o levou da engenharia de software às plantações começou em 2016, quando comprou uma propriedade de 6 acres.
Um ano depois, mudou-se para a aldeia de Pura, no distrito de HD Kote, em Mysuru.
A decisão nasceu de uma história sobre uma idosa indiana que plantou uma floresta sem esperar recompensa, da nostalgia pela comida orgânica que comia na infância e da leitura de artigos que associavam alimentos não saudáveis a doenças de estilo de vida.
Agricultura orgânica enfrentando a seca em hortaliças
Quando Devang chegou a Pura, a região passava por uma seca devastadora que afastava fazendeiros da área.
Em vez de desanimar, ele aproveitou o período para nivelar o terreno e desenvolver métodos de conservação de água que seriam essenciais para o futuro.
Enquanto construía a infraestrutura hídrica, contratou os poucos agricultores que permaneceram e gerou uma fonte alternativa de renda. Também cavou um tanque com capacidade para armazenar 125 mil litros de água da chuva.
Devang também escavou um poço de infiltração com camadas de pedras de diferentes tamanhos para filtrar a água e recarregar o lençol freático.
Esses investimentos iniciais em captação de água foram decisivos em uma região com histórico de secas.
Ciclos integrados e aproveitamento total dos resíduos
Os resíduos da colheita alimentam os animais, e o esterco retorna ao solo como adubo orgânico. Assim, o resíduo é reutilizado como insumo produtivo.
Devang disse à The Better India: “um ciclo se forma na terra agrícola, onde resíduos de colheita são dados aos animais e, em troca, o dejeto do rebanho vira fertilizante orgânico para produzir alimento. Em termos simples, o resíduo se torna um produto útil”.
Essa abordagem contribui para a eficiência hídrica, um diferencial no cultivo de hortaliças em um clima que historicamente enfrentou secas.
Produção contínua e reconhecimento
Devang estruturou a propriedade para produzir alimentos o ano inteiro, reduzindo perdas sazonais e mantendo receita estável. A operação gera lucro anual aproximado de 600 mil rúpias.
O sucesso foi reconhecido oficialmente: recebeu o prêmio de Melhor Agricultor do Distrito pela Universidade de Ciências Agrícolas de Bengaluru e conquistou a admiração de agricultores e técnicos locais.
Sua trajetória de engenheiro a agricultor orgânico mostra que a inovação e a visão sistêmica aplicadas ao campo podem gerar resultados econômicos sólidos sem depender de tecnologias caras ou intensivas em recursos.
A propriedade de Devang em Pura, desenvolvida durante a seca com métodos de economia hídrica e ciclos naturais, mostra que o retorno ao solo pode ser gratificante e lucrativo.













