O Sítio Campo Verde nasceu como plantação de mirtilo no distrito de Parelheiros, a 52 quilômetros da Praça da Sé, e virou destino de turismo rural.
A empreendedora Auricleide Gonçalves Duarte trocou um restaurante em Guarulhos pela vida no campo e hoje recebe visitantes interessados no cultivo da fruta.
O café da manhã, com geleia e bolos de mirtilo, recebe quem chega para colher a fruta e caminhar pelas trilhas da propriedade.
Metade do faturamento do Sítio já vem do Turismo, e a produtora planeja construir chalés para ampliar a hospedagem.
Da plantação ao turismo de fim de semana
A plantação de mirtilo começou em 2014, num terreno onde antes só havia planos de lazer para a família.
Em 2021, veio a decisão de abrir as portas do Sítio para quem quisesse conhecer o cultivo de perto.
Os cursos oferecidos pelo Sebrae-SP ajudaram a transformar o negócio. Antes deles, toda a receita vinha apenas do plantio e da venda direta da fruta.
Hoje, o turismo divide o faturamento ao meio.
Mudança definitiva para o campo
As viagens diárias entre a cidade e o Sítio pesaram na família, que se mudou para a propriedade em janeiro de 2020, pouco antes da pandemia de Covid-19. O período reconfigurou o interesse dos brasileiros por viagens.
Sem estrutura para hospedar muita gente, Auricleide recebe visitantes apenas durante o dia.
“Durante as visitas, temos a oportunidade de falar do mirtilo para que as pessoas conheçam e consumam mais, porque é uma fruta que ainda não está na mesa dos brasileiros”, destaca a empreendedora.
Turismo rural cresce após a pandemia
O relaxamento das restrições sanitárias e o avanço da vacinação impulsionaram a procura por espaços abertos e com menos fluxo de turistas.
Segundo a gestora estadual de Turismo do Sebrae-SP, Aline Delmanto, essa busca inicial mirava justamente destinos rurais e de natureza.
Aline pondera que o grande desafio agora é manter o fluxo alto, porque os destinos tradicionais e consolidados já estão reabertos.
No Sítio Campo Verde, a aposta continua no público que mora perto das cidades, mas busca contato direto com a natureza.
Uma vinícola na Serra da Mantiqueira
Na Serra da Mantiqueira, outra pequena propriedade seguiu caminho parecido.
Celia Carbonari, sócia da Vinícola Villa Santa Maria, e sua família chegaram ao município de São Bento do Sapucaí no ano 2000 planejando uma transferência definitiva da moradia.
A ideia de plantar uvas parecia arriscada numa região sem tradição vinícola. Celia relembra que a família foi atrás e logo descobriu como seria possível iniciar o cultivo.
Do primeiro pé de uva à primeira safra
As primeiras experiências com o cultivo começaram em 2004, e o plantio efetivo de cerca de 4 mil pés de uva vinífera teve início em 2005.
A propriedade, com vista para a Pedra do Baú, se mostrou favorável ao terroir que a família buscava.
A primeira safra só veio em 2009, depois de a parreira levar esse tempo para atingir a maturação plena.
O resultado surpreendeu e impulsionou expansões sucessivas: em 2013, a vinícola conquistou seu primeiro prêmio internacional e hoje conta com quase 70 mil pés plantados na propriedade.
O investimento em turismo começou em 2018, com um restaurante e visitas guiadas aos parreirais com degustação. A estratégia é expandir com a construção de uma pousada no local.













