Produtores rurais de diferentes regiões do Brasil estão transformando feiras regulares em canais diretos de comercialização, aproximando a produção do consumidor e reduzindo a dependência de intermediários. O movimento permite ampliar as possibilidades de venda e diversificar a renda com frutas, verduras, queijos, iogurtes e produtos artesanais.
Em Bernardino de Campos, no interior de São Paulo, uma Feira do Produtor Rural foi inaugurada em outubro de 2025 como resultado desse processo de capacitação e organização dos agricultores para a venda direta.
Modelo de comercialização direta e renda semanal
O conceito de circuitos curtos de comercialização descreve justamente essa aproximação entre produção e consumo. As feiras podem ocorrer em praças públicas em diferentes dias da semana — em João Pessoa duas vezes por semana, em Cuiabá às terças e sábados, em Bernardino de Campos às sextas-feiras.
O modelo também inclui a entrega de cestas na cidade, diretamente na propriedade ou por meio de associações e cooperativas, e abre espaço para pequenas agroindústrias familiares. Na prática, o produtor deixa de vender aos atravessadores.
Em Boa Vista, Roraima, uma feira apoiada pelo Sebrae chegou a registrar faturamento mensal entre R$ 22 mil e R$ 30 mil. Segundo a organização, a venda direta também permite que os produtores recebam imediatamente pelos produtos comercializados, em vez de aguardarem períodos mais longos pelo pagamento.
A Feira do Produtor Rural em Bernardino de Campos
Em Bernardino de Campos, a iniciativa surgiu de uma capacitação iniciada em abril de 2025, em parceria entre Sebrae-SP, Sindicato Rural, Sistema Faesp/Senar-SP, Prefeitura e Secretaria da Agricultura. Os produtores receberam orientação para administrar a feira, além de materiais, estruturas, uniformes e identidade visual.
Realizada às sextas-feiras, das 17h às 21h, na Praça da Igreja Matriz, a feira reuniu 25 produtores em 15 estandes, com frutas, verduras e legumes de produção própria. Para muitos, foi a primeira experiência de venda direta em um espaço público.
As quatro primeiras edições, realizadas entre 24 de outubro e 14 de novembro de 2025, tiveram movimento e faturamento acompanhados para avaliar ajustes e a continuidade do projeto. A proposta também previa integrar os novos produtores aos participantes formados em 2021 e concentrar os grupos em uma única feira semanal.
Impacto na renda das famílias rurais
Pesquisa de junho de 2026 mostrou que agricultores familiares do Programa de Aquisição de Alimentos tiveram aumento de até 30% na renda, embora se trate de um mercado institucional, e não de venda direta.
O dado ajuda a dimensionar o potencial de transformação que canais de comercialização mais estáveis representam para as famílias rurais. O Ministério do Desenvolvimento Agrário mantém, e em 2026, uma Câmara Temática dedicada à Comercialização e Acesso a Mercados.
A Câmara tem foco na ampliação do acesso de cooperativas e associações da agricultura familiar aos mercados públicos e privados. A nova renda semanal das feiras surge como estratégia complementar a esses canais maiores e fortalece a posição do pequeno produtor no mercado local.













