A Terminação Intensiva a Pasto ganhou espaço entre os pecuaristas brasileiros nos últimos anos: 15% deles usam o sistema, que engorda o gado no capim com ração complementar no cocho.
Segundo dados da Ponta Agro, a adoção da Terminação Intensiva a Pasto cresceu 300% em cinco anos.
No Centro-Oeste, a adesão chega a 44% dos terminadores, enquanto a média nacional é de 15% entre todos os pecuaristas. O pasto continua sendo o alimento mais barato disponível.
Complementar a alimentação com ração eleva o desempenho do rebanho. Essa prática não exige a estrutura pesada de um confinamento fechado.
Terminação Intensiva a Pasto ganha espaço entre pecuaristas brasileiros
A tecnologia atrai produtores por exigir investimentos em infraestrutura menores que os do confinamento convencional. A engorda extensiva tradicional rende cerca de cinco arrobas por hectare ao ano.
A versão Intensiva a Pasto ultrapassa 120 arrobas na mesma área, superando até culturas agrícolas em rentabilidade por hectare.
Pequenas propriedades e grandes operações conseguem adaptar a técnica à realidade de cada bioma, usando os insumos disponíveis na região.
O indicador que interessa ao produtor não é só o peso do animal, mas o Ganho Médio Diário (GMD) de carcaça, que costuma passar de 1 quilo por dia com bom acabamento de gordura.
Etanol de milho abriu porta para novo insumo
A expansão das usinas de etanol de milho trouxe o Grão Seco de Destilaria (DDG), insumo que sustenta essa forma de engorda.
Ele complementa o que falta no Pasto, fornecendo proteína e energia para equilibrar a dieta do animal.
Onde o DDG não está disponível, produtores recorrem a milho, polpa cítrica, casca de soja ou caroço de algodão, conforme o preço e a oferta de cada região.
A flexibilidade de ingredientes torna o sistema viável em diferentes partes do território nacional.
A flexibilidade de ingredientes torna o sistema viável em diferentes partes do território nacional e é um dos principais motivos para sua adoção generalizada.
Recria mais rápida acelera o giro da fazenda
A Recria Intensiva a Pasto integrada à Terminação economiza tempo e elimina flutuações de peso no processo.
Pelo método antigo, a Recria levava cerca de 12 meses; com a intensificação, cai para sete ou oito meses.
Somando as duas etapas, o boi sai para o frigorífico em apenas um ano após a desmama. Isso permite ao produtor liquidar o lote no momento em que a nova safra de bezerros chega à propriedade.
Com isso, o produtor aproveita melhor a terra e o capital investido.
Manejo errado pode anular o Ganho
Flávio Dutra e Rogério Coan alertam que o manejo incorreto da pastagem pode anular os benefícios da tecnologia.
O pastejo contínuo ou alternado tende a funcionar melhor que o rotacionado nesse sistema.
A troca frequente de piquetes interrompe o ritmo de consumo de ração no cocho e prejudica o resultado final.
Iniciativas como o programa TIP Brasil profissionalizam o setor por meio de cursos e treinamentos.
Essas iniciativas buscam identificar no campo erros comuns de infraestrutura e nutrição antes que comprometam o desempenho.













