Uma única planta na costa do Rio Grande do Norte cresceu tanto que precisa de passarelas suspensas para ser observada por inteiro: o Cajueiro de Pirangi, também chamado de Maior Cajueiro do Mundo.
Reconhecido pelo Guinness World Records como o Maior Cajueiro do planeta, ocupa 8.500 metros quadrados, espaço equivalente a 70 exemplares comuns da espécie e segue produzindo frutos todos os anos.
A safra rende até 2,5 toneladas de caju, o equivalente a algo entre 60 mil e 80 mil unidades, variando conforme a temporada.
Mais que uma curiosidade botânica, o gigante de Pirangi virou símbolo de como uma mutação genética isolada pode transformar toda uma paisagem.
A árvore atrai comunidades inteiras, negócios locais e gerações de visitantes em torno de sua copa imensa.
Como os galhos de Pirangi se transformam em novos troncos
Em vez de crescer para cima como um pé de caju comum, os galhos do Cajueiro de Pirangi se estendem na horizontal.
Com o próprio peso, acabam encostando na areia e ali desenvolvem raízes adventícias, estruturas que nascem fora do sistema radicular original.
Cada novo contato com o solo cria um tronco autossustentável, ainda ligado à planta-mãe.
É por isso que a extensão inteira, apesar de parecer uma pequena floresta, segue sendo contabilizada como um único organismo vegetal.
Os galhos se irradiam aproximadamente 50 metros do tronco central, e essa capacidade de enraizamento contínuo explica o crescimento extraordinário.
O ramo que não segue o padrão
Dos cinco ramos principais, quatro seguem o padrão de enraizamento contínuo que deu fama ao Cajueiro.
O quinto, batizado de Salário Mínimo, comporta-se de forma comum e parou de se espalhar assim que tocou o solo pela primeira vez.
Esse contraste ajuda pesquisadores a entender o fenômeno. Enquanto os demais ramos seguem criando troncos novos, o quinto permanece estável e serve de referência para quem estuda o crescimento do restante da planta.
Idade envolta em tradição e disputa científica
A idade exata do Cajueiro segue sendo debatida. A tradição local atribui o plantio, em 1.888, ao pescador Luís Inácio de Oliveira, que teria morrido descansando à sua sombra anos depois.
O Guinness World Records considera o exemplar centenário com base nesse relato popular.
Segundo pesquisadores, o enraizamento contínuo torna pouco confiável a estimativa de idade pelos métodos tradicionais de análise de tronco.
Alguns pesquisadores sugerem que o vegetal pode ser bem mais antigo do que se imagina, com estimativas que chegam a centenas de anos.
Nenhum método conseguiu definitivamente resolver a questão sobre sua idade real.
Reconhecimento oficial e atração turística
Uma equipe do Guinness World Records mediu formalmente a copa em 1994, confirmando o título de Maior Cajueiro já registrado.
Esse reconhecimento consolidou o local como atração central da região de Natal desde então.
O parque fica em Pirangi do Norte, dentro do município de Parnamirim, a cerca de 12 quilômetros do centro de Natal.
Autoridades locais construíram passarelas suspensas especificamente para proteger o sistema de raízes do fluxo intenso de visitantes.
Centenas de milhares de pessoas vêm a cada ano para ver de perto o que uma mutação genética simples conseguiu construir ao longo de mais de um século.
Competição com um rival no litoral nordestino
Outro exemplar, o Cajueiro-Rei localizado em Cajueiro da Praia, no estado do Piauí, também chama atenção por seu porte fora do comum em outra região do litoral nordestino.
Mesmo assim, esse concorrente não recebeu o mesmo reconhecimento internacional dado ao gigante de Pirangi.
Pesquisadores da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) estudaram o Cajueiro-Rei e documentaram suas características, apontando que a árvore cobre aproximadamente 8.800 metros quadrados.
O gigante de Pirangi segue como o único vegetal do gênero certificado internacionalmente pelo Guinness.
Essa exclusividade continua atraindo visitantes que buscam ver de perto a transformação que anomalias genéticas incomuns podem gerar ao longo de mais de um século.













