Cultivar alimentos fora da Terra já faz parte dos experimentos da NASA. Na Estação Espacial Internacional (ISS), a cerca de 400 quilômetros da superfície, astronautas plantam e colhem vegetais em sistemas desenvolvidos para funcionar em microgravidade.
Entre as espécies cultivadas estão couve, alface, mostarda, rabanete, tomate e pimenta. A produção permite estudar como as plantas crescem em órbita e avaliar o potencial de oferecer alimentos frescos às tripulações. NASA
A microgravidade altera o desenvolvimento das plantas e exige controle preciso de luz, água, umidade e nutrientes. Por isso, cada colheita também funciona como experimento científico. Os vegetais podem ainda melhorar a variedade da alimentação, já que missões prolongadas dependem principalmente de alimentos armazenados e podem sofrer com a chamada fadiga do cardápio, que reduz o interesse pelas refeições e pode afetar a ingestão de nutrientes.
Cultivo de alimentos para astronautas em missões longas
Chegar a Marte exige cerca de 6 meses de viagem de ida e outros 6 de volta. Consumir comida processada por mais de 21 dias pode afetar o estado psicológico da tripulação e reduzir seu desempenho. Ter vegetais recém-colhidos à disposição é crucial para o bem-estar psicológico da tripulação em trajetos longos.
Levar alimento da Terra para a Lua custa cerca de um milhão de dólares por quilo, tornando a produção local a saída viável para bases permanentes. A NASA trabalha no desenvolvimento de sistemas de cultivo dentro de módulos nas naves e em fazendas verticais para instalações fixas.
Pesquisa Brasileira em destaque
A NASA também promoveu, em parceria com a Agência Espacial Canadense, o Deep Space Food Challenge, competição para desenvolver sistemas compactos capazes de produzir alimentos nutritivos em missões espaciais prolongadas. Entre os participantes esteve a Esalq-USP, que desenvolveu uma proposta com morango e taioba para um espaço de apenas 2 m³
Pesquisadores da USP usam uma câmara climática que controla umidade, temperatura, comprimento de onda e espectro para cultivar esses alimentos em módulo de cultivo vertical. O desafio da NASA exigiu desenvolver o protótipo em dez meses, quando normalmente levaria três a quatro anos.
Hortas que alcançam a Lua e além
O projeto também avalia a viabilidade de cultivos verticais iluminados por LEDs ajustáveis, pensados para ampliar a escala de produção em futuras bases fixas na Lua e em Marte.
A colheita mostrada na Estação Espacial Internacional representa um passo prático dentro de um esforço maior: cultivar o próprio alimento a centenas de quilômetros de casa deixa de ser um experimento isolado e passa a integrar o planejamento de viagens cada vez mais distantes e ambiciosas.













