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Agricultores alimentam bois com resíduos torrados de azeitona e criam uma das carnes mais raras do mundo

Por Yasmin Henrique
21/08/2026
Agricultores alimentam bois resíduos torrados

Foto: Mahmoud Yahyaoui/Pexels

Uma técnica desenvolvida no Japão transformou resíduos da produção de azeite em alimento para o gado e deu origem a uma carne Wagyu de produção limitada. A criação ganhou reconhecimento nacional em 2017, um ano após o início do projeto, quando foi premiada pela qualidade da gordura na Olimpíada de Wagyu, principal competição nacional da raça.

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O agricultor Masaki Ishii foi um dos pioneiros da técnica na ilha de Shodoshima, na província de Kagawa, responsável por cerca de 99% da produção japonesa de azeite. Os resíduos de azeitona são incorporados à alimentação do gado com o objetivo de aumentar a concentração de ácido oleico, uma gordura monoinsaturada do grupo dos ômega 9, associada à textura e ao sabor do Wagyu.

Além do marmoreio e da textura amanteigada típicos da raça, Ishii buscava produzir uma carne ainda mais macia. A técnica também criou uma alternativa para aproveitar os resíduos da produção de azeite, antes usados principalmente como fertilizante. Os resíduos alimentam o gado, enquanto o esterco dos animais pode retornar às plantações como adubo.

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Wagyu alimentado com azeitona e sua produção limitada

No início, o gado rejeitou os resíduos de azeitona por causa do amargor. Ishii descobriu que secá-los e torrá-los liberava os açúcares naturais, tornando-os palatáveis. Hoje, cada animal consome 8 quilogramas de ração mista, 1 quilograma de forragem e 0,1 quilograma de pó de resíduos de azeitona torrados. 

Quando Ishii começou, o Wagyu de Kagawa não era uma marca famosa no Japão, e a indústria local enfrentava dificuldades com os preços estagnados. A produção de carne alimentada com azeitona tornou o produto um dos mais raros do mundo. O preço é cerca de 10% mais alto que o do Wagyu preto japonês médio.

Produção: 

  • Atualmente, cerca de 2.400 cabeças são alimentadas com resíduos de azeitona na ilha, contra 1.700 em 2016.
  • Quatro produtores principais utilizam o método.
  • A meta é aumentar o rebanho para 3.000 animais.

Mercado:

  • Cerca de 40% das vendas ocorrem em Osaka, 30% em Kagawa e 30% em Tóquio.
  • Aproximadamente 1% da produção é exportada, com destinos como Macau, Tailândia, França, Espanha e Estados Unidos.
  • Há planos para ampliar os mercados internacionais, incluindo Hong Kong e Taiwan.
  • Apesar da popularidade mundial do Wagyu, a variedade alimentada com resíduos de azeitona ainda é pouco conhecida fora do Japão.
  • Produtores e autoridades locais trabalham na divulgação do produto e na expansão das vendas.
Passo a passo
Preparação e alimentação do gado com resíduos de azeitona para produção de Wagyu
1
Coletar os resíduos da produção de azeite provenientes das azeitonas.
2
Secar e torrar os resíduos de azeitona para reduzir o amargor e liberar os açúcares naturais.
3
Transformar os resíduos torrados em pó para incorporação na ração.
4
Fornecer diariamente a cada animal 8 kg de ração mista, 1 kg de forragem e 0,1 kg do pó de resíduos de azeitona torrados.
5
Utilizar o esterco gerado pelo gado como adubo retornando-o às plantações.
6
Manter o acompanhamento da qualidade da gordura e da maciez da carne durante o projeto de engorda.

Carne de oliva chega à alta gastronomia

A carne também passou a ser apresentada em eventos gastronômicos. Em 2017, o restaurante La Sora Seed Food Relation Restaurant, no 31º andar do Tokyo Solamachi, recebeu um seminário comandado pelo chef Masayuki Okuda, do restaurante Al che-cciano, em Tsuruoka, Yamagata.

Okuda preparou cortes de coxão, alcatra, paleta e lombo, acompanhados por vegetais de Kagawa. O coxão foi servido com aspargos e sal de carvão, enquanto a alcatra recebeu um consomê com berinjela Mitoyo. Segundo o chef, a gordura do Wagyu alimentado com azeitona apresenta sabor delicado e refrescante.

A paleta recebeu uma crosta de massa salgada com cascas de azeitona e foi cozida inteira para transformar o colágeno do tecido conjuntivo em gel. Já o lombo foi servido sobre um risoto de lentilhas com arroz Oidemai, finalizado com consomê quente para cozinhar lentamente a carne e preservar sua maciez.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Yasmin Henrique

Yasmin Henrique

Sou uma jovem de 20 anos que cursa jornalismo na federal de Alagoas. Paulista de nascença, moro há mais de uma década no estado nordestino. Desde pequena fascinada pelo mundo da leitura e da escrita, sempre adorei a ideia de informar as pessoas e meus textos fazerem a diferença na vida de alguém. Ainda estou começando na trilha profissional, mas planejo alcançar muita coisa. Quando não estou estudando, sou redatora do Consulta Pública.

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