Robôs que operam em lavouras australianas usam facas e arames para arrancar ervas daninhas. O método retoma formas de controle adotadas antes da invenção dos herbicidas.
A tecnologia importada da Dinamarca e dos Estados Unidos pode reduzir o uso de produtos químicos nas lavouras.
O agricultor de vegetais Troy Qualischefski é da quarta geração de sua família na profissão.
Qualischefski começou a testar um FarmDroid FD20 dinamarquês em julho e um Stout Smart Cultivator americano em outubro.
Com os equipamentos, pretende reduzir o uso de herbicidas pré-emergentes e melhorar a saúde geral da lavoura.
Robôs no campo eliminam ervas daninhas mecanicamente
O FarmDroid é um robô autônomo movido a energia solar que se guia por GPS para eliminar as invasoras usando facas e arames, em vez de sprays químicos.
O equipamento possui duas baterias carregadas por quatro painéis solares e consegue funcionar 24 horas por dia em dias ensolarados, conforme afirma o fabricante.
De acordo com as especificações, cobre cerca de 900 metros por hora, o equivalente a 6 hectares diários.
Já o modelo americano se acopla a um trator e utiliza câmeras e inteligência artificial para reconhecer as ervas daninhas.
Ambos os sistemas foram desenvolvidos para trabalhar em cultivos de horticultura, embora máquinas similares já operem em regiões de grãos e algodão.
Por que os herbicidas perderam espaço
Quando os herbicidas foram inventados, o uso de capinas manuais e do revolvimento do solo, chamado em inglês de “aração”, caiu drasticamente.
A adoção do plantio direto (sem aração) trouxe benefícios como redução de combustível, menor necessidade de mão de obra, retenção de umidade do solo e prevenção de erosão, além de aumentar as colheitas.
O plantio direto ainda tem seu lugar na agricultura moderna. Ainda assim, os agricultores buscam alternativas porque os custos dos herbicidas crescem, as ervas daninhas desenvolvem resistência e a sociedade exige práticas mais sustentáveis.
Ervas daninhas custam aos agricultores australianos quase 5 bilhões de dólares anuais em controle e perdas de produção.
Química agrícola cresceu, mas gera preocupações
O uso de agroquímicos como herbicidas, inseticidas, acaricidas, fungicidas e antibióticos dobrou desde 1992 e chegou a 50 mil toneladas por ano em 2017–18.
O aumento levou agricultores a buscar alternativas para reduzir a dependência dessas substâncias.
Ao ABC, Qualischefski disse que pretende reduzir gradualmente o uso de herbicidas pré-emergentes.
Ele acredita que, se conseguir fazer apenas capina mecânica, terá plantas mais fortes e uma colheita mais uniforme.
Robôs conquistam apoio de grandes fabricantes
A tecnologia de capina mecanizada ganhou o interesse de grandes empresas do setor.
A CNH, proprietária das marcas CASE e New Holland, adquiriu participação minoritária na Stout no ano anterior ao do teste de Qualischefski.
Sal Espinoza, diretor de operações da Stout, informou que a máquina foi treinada para diversos cenários agrícolas, desde alface, brócolis e couve-flor até couve, aipo e salsa.
O software usa inteligência artificial para reconhecer cada tipo de cultura, e não apenas pela cor.
Segundo Espinoza, essa capacidade permitiu que a maioria dos agricultores reduzisse significativamente o uso de herbicidas e ofereceu aos consumidores uma safra mais saudável.
A adoção desses robôs muda a forma como os agricultores enfrentam o controle de ervas daninhas ao combinar tecnologia de ponta com práticas tradicionais de manejo do solo e das plantações.













