Duas cidades de Minas Gerais decretaram emergência econômica no agronegócio após prejuízos sucessivos na produção de alho.
São Gotardo e Ibiá, no Alto Paranaíba, reconheceram oficialmente a crise que atinge os produtores rurais da região. O quilo do alho é vendido, em média, a R$ 11.
O custo de produção, porém, chega a R$ 13,30 em São Gotardo e a R$ 16,30 em Ibiá.
Essa diferença resulta em prejuízo líquido estimado de R$ 70 mil por hectare em São Gotardo e de R$ 71.500 em Ibiá.
Garantias dos decretos para produtores de alho
Os decretos, válidos por 180 dias e prorrogáveis, não quitam as dívidas dos agricultores diretamente.
Funcionam como suporte documental para requerimentos de renegociação de dívidas, alongamento de crédito e renegociação de contratos de fornecimento de insumos.
Segundo as prefeituras, a crise combina alta nos custos de produção, perda de alimentos no campo e queda nas margens comerciais.
Os efeitos se espalham pela cadeia produtiva, com aumento do endividamento e redução do capital disponível.
Clima e concorrência pressionam o setor
As mudanças bruscas no clima também prejudicaram outras culturas do Alto Paranaíba, com perdas relatadas em cenoura e batata-inglesa.
Somadas ao aumento dos custos com insumos e transporte, essas mudanças pressionam as margens dos produtores de alho na região.
A Associação Nacional dos Produtores de Alho (NAPA) pede ação do governo contra a importação de alho a preços competitivos, que reduz as cotações locais.
Segundo Rafael Corcino, presidente da NAPA, sem intervenção do governo o setor poderá enfrentar um colapso.
Próximos passos para os produtores rurais
Os decretos de emergência dão fundamentação jurídica a requerimentos de auxílio aos produtores.
Também permitem prorrogar créditos, renegociar obrigações e firmar novos contratos de fornecimento de insumos com instituições financeiras e fornecedores.













