O El Niño que deve se desenvolver no Oceano Pacífico entre 2026 e 2027 pode estar entre os mais intensos já registrados, segundo projeções citadas pela Met Office, serviço nacional de meteorologia do Reino Unido.
O fenômeno também deve contribuir para o aumento das temperaturas globais, com possibilidade de os termômetros ultrapassarem temporariamente 1,5°C acima dos níveis pré-industriais em 2027.
Alguns cientistas projetam uma elevação global de até 1,7°C. No Pacífico, a temperatura da superfície do mar poderia subir cerca de 3°C acima da média em algumas áreas, contra aproximadamente 1°C em um El Niño comum.
A NOAA, agência de meteorologia dos Estados Unidos, aponta mais de 90% de probabilidade de um evento muito forte e 63% de chance de as temperaturas do mar superarem 2°C acima da média.
Impactos regionais esperados do El Niño intenso
Um El Niño dessa magnitude pode provocar secas severas em partes da América do Sul, do Pacífico Oeste, do sul da África e do nordeste da Austrália. Em outras regiões, o efeito tende a ser oposto. Na Europa, incluindo o Reino Unido, as projeções indicam maior possibilidade de chuvas intensas e tempestades, especialmente durante o mês de novembro.
O fenômeno amplificará os efeitos do aquecimento global, transformando a linha de base climática em uma situação ainda mais extrema nas regiões tropicais. A ONU alertou que o El Niño pode levar 50 milhões de pessoas à fome aguda até final de 2027, enquanto pesquisadores da Universidade de Newcastle sublinham riscos elevados de secas e inundações globais afetando colheitas e redes de abastecimento alimentar.
Pressão sobre os preços de alimentos e economia global
Menor produção agrícola:
- Secas podem reduzir a produtividade de determinadas culturas.
- Chuvas excessivas e inundações também podem destruir lavouras.
- A redução da oferta tende a elevar os preços dos produtos agrícolas.
Pressão sobre as cadeias de abastecimento:
- Um El Niño intenso pode ocorrer em meio a problemas já existentes nas cadeias globais de alimentos.
- Perdas agrícolas em diferentes regiões podem dificultar o abastecimento.
- O aumento dos custos de produção e transporte pode chegar ao consumidor.
Climateflation:
- O termo descreve a inflação provocada ou agravada por eventos climáticos.
- Analistas do UniCredit avaliam que um El Niño intenso pode dificultar a redução das pressões inflacionárias.
- O cenário também pode contribuir para a manutenção de juros elevados.
Projeção para commodities:
- Estimativas atribuídas ao Goldman Sachs apontam que um El Niño muito intenso poderia elevar em até 15,8% os preços globais das commodities alimentares.
- Na Europa, os preços pagos pelos consumidores poderiam subir até 1,3%.
- Os efeitos econômicos poderiam se prolongar até 2028.
Precedentes históricos e recordes
O risco ganha dimensão quando comparado a episódios históricos. Entre 1876 e 1878, um dos El Niños mais severos já registrados coincidiu com secas e crises de abastecimento na China, Índia, Brasil, Egito e partes da África. Na Índia, a fome associada ao período matou milhões de pessoas, em um cenário agravado pelas estruturas econômicas e políticas do colonialismo.
Outros episódios excepcionalmente fortes ocorreram em 1982-83, 1997-98, 2015-16 e 2023-24. O ciclo previsto para 2026-27 ainda é uma projeção e sua intensidade pode mudar conforme as condições do Pacífico. Ainda assim, os modelos indicam potencial para afetar o regime de chuvas, a produção agrícola e os preços dos alimentos em diferentes regiões do mundo.













