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Botos selvagens ajudam pescadores a cercar peixes e indicam o momento exato de lançar as redes

Por Yasmin Henrique
29/08/2026
Botos selvagens ajudam pescadores cercar

Foto: Lucia Barreiros Silva/Pexels

Uma das relações mais incomuns entre seres humanos e animais selvagens no Brasil acaba de ganhar reconhecimento nacional. O Iphan aprovou o registro da pesca artesanal com auxílio de botos no Sul do Brasil como Patrimônio Cultural Imaterial, em decisão unânime do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. A prática envolve pescadores e botos que cooperam espontaneamente para capturar cardumes de tainha e é transmitida entre gerações.

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A tradição ocorre principalmente em Laguna, em Santa Catarina, e na região do rio Tramandaí, no Rio Grande do Sul. O reconhecimento considera não apenas a captura dos peixes, mas também os conhecimentos, técnicas, formas de comunicação e modos de convivência desenvolvidos pelos pescadores ao longo do tempo.

Como os botos ajudam na pesca

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Cercamento dos cardumes:

  • Os botos conduzem cardumes de tainha em direção aos pescadores.
  • Os animais sinalizam a localização dos peixes e o momento adequado para o lançamento das tarrafas.
  • Movimentos específicos na superfície funcionam como sinais interpretados pelos pescadores.

Comunicação entre espécies:

  • A pesca depende da capacidade dos pescadores de reconhecer o comportamento dos botos.
  • Os chamados “botos bons” são identificados individualmente por características físicas e comportamentais.
  • Muitos recebem nomes próprios e são reconhecidos pelos pescadores após anos de convivência.
  • Pesquisas descrevem o processo como uma forma de coaprendizagem e desenvolvimento de habilidades entre humanos e golfinhos.

Eficiência:

  • Segundo relatos apresentados ao Iphan, quando os botos não participam, um pescador pode precisar realizar dezenas de lançamentos da tarrafa.
  • Com o auxílio dos animais, a quantidade de peixes capturados pode aumentar significativamente.

Uma tradição que atravessa gerações

Reconhecimento anterior:

  • Em 2018, a pesca artesanal com auxílio de botos foi reconhecida como patrimônio imaterial de Santa Catarina.
  • Em 2020, a prática também foi reconhecida como de relevante interesse cultural no Rio Grande do Sul.
  • Laguna possui ainda o título de Capital Nacional do Boto Pescador, enquanto o animal é considerado patrimônio natural do município desde 1999.

Pesquisa e documentação:

  • O processo nacional contou com pesquisas realizadas em parceria entre o Iphan e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
  • O levantamento documentou os saberes dos pescadores, os territórios da pesca, a relação com os animais e os desafios enfrentados pelas comunidades.
Pontos-chave
Pesca artesanal com auxílio de botos é reconhecida como patrimônio imaterial pelo Iphan
✓
Iphan registrou unanimemente a pesca com auxílio de botos no Sul do Brasil como Patrimônio Cultural Imaterial.
✓
Prática envolve cooperação espontânea entre pescadores e botos para capturar cardumes de tainha.
✓
Tradição ocorre principalmente em Laguna (SC) e na região do rio Tramandaí (RS) e é transmitida entre gerações.
✓
Botos sinalizam localização e momento de lançamento das tarrafas; pescadores identificam indivíduos e interpretam sinais.
✓
Reconhecimento nacional se apoia em pesquisas feitas pelo Iphan e pela UFSC que documentaram saberes e territórios.
✓
Proteger a prática também exige conservar o ambiente, a sobrevivência dos botos e a disponibilidade de tainhas.

Patrimônio cultural e conservação caminham juntos

O reconhecimento pelo Iphan não protege apenas uma técnica de pesca. Ele também chama atenção para a necessidade de preservar o ambiente onde essa interação acontece e os próprios animais que participam dela. A continuidade da tradição depende da sobrevivência dos botos, da disponibilidade de tainhas e da manutenção dos territórios utilizados pelas comunidades pesqueiras.

A pesca colaborativa se tornou, assim, um dos exemplos mais raros de cooperação espontânea entre seres humanos e animais selvagens. Os pescadores utilizam conhecimentos transmitidos entre gerações para interpretar os sinais dos botos, enquanto os animais aproveitam a concentração dos peixes junto às redes para capturar parte do cardume.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Yasmin Henrique

Yasmin Henrique

Sou uma jovem de 20 anos que cursa jornalismo na federal de Alagoas. Paulista de nascença, moro há mais de uma década no estado nordestino. Desde pequena fascinada pelo mundo da leitura e da escrita, sempre adorei a ideia de informar as pessoas e meus textos fazerem a diferença na vida de alguém. Ainda estou começando na trilha profissional, mas planejo alcançar muita coisa. Quando não estou estudando, sou redatora do Consulta Pública.

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