Produtores australianos de maracujá roxo esperam melhores resultados após mais de uma década de dificuldades no cultivo.
A Universidade de Queensland, por meio da Aliança de Queensland para Inovação na Agricultura e Alimentação, desenvolveu 22 novas variedades da fruta.
Nove delas foram testadas com agricultores no Centro de Pesquisa de Maroochy, após um período de mais de 20 anos sem novas variedades de maracujá roxo.
Os híbridos populares Sweetheart e Misty Gem perderam confiabilidade.
As vinhas produziram menos frutos e de menor tamanho, além de se tornarem mais suscetíveis a pragas e doenças fúngicas.
Anos de dificuldade no campo
No sudeste de Queensland e no norte de Nova Gales do Sul, regiões tradicionais de cultivo, o cenário chegou a afastar produtores da atividade.
O conjunto de problemas levou alguns agricultores a abandonar o setor. Produtores e o governo federal cofinanciaram um projeto de melhoramento genético para encontrar substitutos confiáveis.
A iniciativa avançou por anos até que a saída do pesquisador responsável interrompeu praticamente todo o trabalho já construído, atrasando significativamente a solução para o setor.
A retomada pela Universidade de Queensland
A Aliança de Queensland para Inovação na Agricultura e Alimentação, ligada à Universidade de Queensland, assumiu o programa que havia sido paralisado.
Uma equipe de acadêmicos passou a trabalhar com os próprios agricultores para reproduzir e testar as novas plantas em diferentes locais.
Nove das 22 variedades já criadas passaram por testes práticos, enquanto outras seguem em fase de desenvolvimento.
Cada fruta foi avaliada quanto à aparência externa e interna, ao aroma, à doçura, ao equilíbrio entre açúcar e acidez e ao sabor residual.
Comparação com outras culturas agrícolas
O pesquisador sênior Mobashwer Alam trabalhou em outros programas de melhoramento: uma variedade de macadâmia levou 24 anos para ser desenvolvida, e sorgo, mais de quatro anos.
Ele afirma que o programa de reprodução é necessário para ajudar a indústria a sobreviver.
O melhoramento genético de plantas depende de testes sucessivos em diferentes solos e climas antes que uma variedade se mostre estável o bastante para chegar às lavouras comerciais.
O maracujá, fruta sensível a variações de temperatura e umidade, exige ainda mais cuidado nessa etapa de seleção.
O que o maracujá roxo representa no mercado
Boa parte da colheita de maracujá é destinada à venda como fruta fresca, o que torna a aparência e o sabor fatores decisivos para o consumidor final.
Uma casca atraente e uma polpa equilibrada entre doce e ácido pesam diretamente na aceitação do produto nas prateleiras.
À medida que as novas variedades avançam nos testes de campo, produtores como Brad Millard as testam em suas fazendas comerciais.
A variedade UQP1 é particularmente promissora: produz muita fruta e a produção se estende por 75% do ano, aproximadamente nove meses.
Isso permite que os produtores colham e vendam por um período prolongado, aumentando a rentabilidade.













