Em sua propriedade de seis hectares na aldeia de Keisen, na ilha de Kyushu, no Japão, Takao Furuno cultiva arroz e trigo sem usar nenhum químico.
Ele redescobriu uma prática agrícola antiga: o uso de patos nos arrozais, conhecida como método aigamo.
As dezenas de aves criadas na fazenda percorrem os campos alagados e alimentam-se de insetos e ervas daninhas sem danificar as plantas de arroz.
Enquanto nadam, os patos oxigenam a água e revolvem o solo. Os dejetos funcionam como adubo natural, eliminando a necessidade de fertilizantes químicos.
Aumento de produção e renda com patos
Furuno conseguiu reduzir os custos de produção e aumentar a colheita em cerca de um terço em comparação com vizinhos que usam fertilizantes químicos.
O aumento da produção vem acompanhado de uma fonte adicional de renda: Furuno também vende os patos.
Da adoção local à expansão global
O livro “The Power of Duck”, publicado em 2000, foi adquirido por aproximadamente 10 mil agricultores japoneses, demonstrando o interesse pela técnica no Japão.
Em 2011, o método foi testado com sucesso em Camargue, na região sul da França, o que abriu caminho para sua aplicação em climas e contextos diferentes.
A trajetória de inovação agrícola de Furuno começou em 1978, quando ele adotou práticas orgânicas na fazenda, e dez anos depois, passou a usar o método aigamo.
Desafio da agricultura
A tendência na produção de arroz no Japão, que representa o sustento de 1,4 milhão de famílias, segue em direção oposta.
Há crescente preferência por fazendas maiores e produção mais intensiva, afastando-se de métodos alternativos como o aigamo.
Apesar dessa tendência, os resultados obtidos por Furuno com o sistema aigamo demonstram que há alternativas viáveis ao cultivo convencional.













