Em 2015, oito famílias de agricultores do distrito de Dhading, no Nepal, fizeram um experimento que desafiou as práticas convencionais de adubação.
As famílias enterraram pequenas porções de carvão vegetal embebido em urina de vaca sob mudas de abóbora plantadas em terraços estreitos à beira do rio Thopal Khola.
Os aumentos de produção superaram os de fazendas completamente adubadas.
A mistura usada não era carvão comum, mas biochar, um material altamente poroso produzido pela queima lenta de resíduos orgânicos com pouco oxigênio.
Os agricultores prepararam o biochar a partir de um arbusto invasor conhecido localmente como “ban mara” (matador de floresta), queimado em um forno simples chamado Kon-Tiki.
Agricultores nepaleses testam urina de vaca com biochar
Ao contrário do que ocorria em estudos anteriores, nos quais o biochar era espalhado por toda a área plantada.
Os agricultores nepaleses concentraram o material apenas nas covas de plantio, em quantidade bem menor.
Enquanto o experimento de Dhading utilizou menos de uma tonelada por hectare, outras pesquisas do tipo aplicavam de cinco a cinquenta toneladas, uma diferença de escala.
Os agricultores embebiam o biochar em urina de vaca, em partes iguais, por cerca de uma hora. Depois, misturavam o biochar ao composto orgânico e enterravam a mistura na zona das raízes.
As oito propriedades foram divididas em três grupos de tratamento: composto com urina de vaca, composto com biochar e composto com biochar embebido em urina.
A combinação final, com o biochar já saturado de urina, produziu os melhores resultados entre todos os testes.
Custos próximos a zero para o produtor
O principal ganho prático foi o baixo custo, e como o biochar era feito com arbustos invasores colhidos na propriedade, o preparo do fertilizante custou praticamente zero.
A agricultora Sita Lamsal disse que o aumento dos preços dos fertilizantes industriais tornou o método uma alternativa valiosa.
O experimento fez parte de um projeto de agricultura resiliente ao clima, financiado por uma doação do Nordic Development Fund administrada pelo Asian Development Bank.
O que a ciência maior diz sobre biochar
Uma meta-análise amplamente citada identificou um aumento médio de cerca de 10% na produtividade com biochar, pequeno, mas estatisticamente significativo.
Os efeitos, porém, variam conforme a cultura, o solo, o clima e as condições experimentais. Não há uma quantidade mínima universal de aplicação que garanta ganhos relevantes em qualquer situação.
Os resultados de Dhading foram significativos justamente por virem de um solo já relativamente fértil, diferente das terras desgastadas onde o biochar costuma mostrar os efeitos mais pronunciados.
Um caminho sem insumos industriais
Os resultados de Dhading sugerem um novo caminho para pequenos agricultores e produtores orgânicos.
A combinação de resíduos vegetais, urina de vaca e técnicas simples de queima indica ser possível alcançar resultados semelhantes ou até melhores sem depender de fertilizantes convencionais.
O experimento abre perspectiva para famílias que dependem de insumos industriais caros ou simplesmente não têm acesso a eles.
Ao reutilizar o que já existe na propriedade e aplicar o biochar apenas onde as plantas nascem.
Em vez de cobrir toda a área, os agricultores nepaleses demonstraram uma abordagem viável para essas comunidades.













