A cadeia produtiva da malva, fibra colhida nas margens dos rios amazônicos, receberá máquinas, laboratórios e infraestrutura digital para que o material chegue à moda internacional.
Extraída por famílias ribeirinhas do Pará, a malva terá R$ 25,7 milhões em investimentos para modernizar toda a cadeia produtiva.
Desse total, R$ 15,2 milhões, 60% do valor, vêm da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, como Subvenção Econômica.
O restante fica a cargo das empresas e instituições parceiras da iniciativa.
A proposta partiu da Companhia Têxtil de Castanhal, que há 40 anos transforma juta em produtos têxteis no estado do Pará. Agora, a empresa amplia o foco para a malva.
A planta ganhou visibilidade internacional depois que um tecido feito da combinação das duas fibras vestiu a atriz Alice Carvalho em uma cerimônia do Oscar nos Estados Unidos.
Malva amazônica ainda depende de trabalho manual
Colher malva é um processo quase todo artesanal. As sementes vão para o leito dos rios quando a água baixa, e a colheita ocorre no início da cheia seguinte.
Os produtores cortam as plantas, separam em feixes e os deixam de molho por cerca de dez dias para amolecer.
Depois de retiradas da água, as fibras secam em varais improvisados. A falta de estrutura para transporte, prensagem e armazenamento provoca perdas e limita o número de compradores dispostos a negociar o material.
Tecnologia para dar mais valor ao produto
O plano financiado pela Finep prevê estudos para o aprimoramento das espécies, além de maquinário voltado à colheita e à separação das sementes.
Também está prevista uma plataforma digital para acompanhar o cultivo e mecanismos financeiros que viabilizem a produção em maior escala.
A proposta inclui ainda testar negócios comunitários piloto que sirvam de modelo para outras regiões amazônicas.
Cada etapa da produção passará por avaliações técnicas, com o objetivo de chegar a uma fibra de qualidade superior à usada hoje em sacaria, cordas e estofamentos.
Parcerias entre empresas e centros de pesquisa
Participam do projeto três instituições científicas, tecnológicas e de inovação: a Universidade Federal da Amazônia, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e o Centro de Bionegócios da Amazônia.
Quatro empresas também integram a iniciativa, Bioverse, Supernova, MGK Equipamentos e LABB41.
Para Elias Ramos, diretor de Inovação da Finep, esse tipo de apoio permite que o governo assuma o risco da inovação junto a empresas e institutos de pesquisa.
A medida viabiliza iniciativas tipicamente brasileiras com potenciais benefícios diretos e indiretos para as comunidades envolvidas.
Com a fibra já testada em uma peça vista no tapete vermelho americano, a expectativa da cadeia produtiva é abrir espaço em mercados que hoje conhecem pouco o potencial da malva amazônica.













