A mudança de endereço da Festa do Peão de Barretos parecia uma aposta arriscada. Em 1984, depois de anos crescendo no Recinto Paulo de Lima Corrêa, o evento já não comportava o público que atraía. Naquele ano, um temporal chegou a destruir parte da estrutura montada para a festa, aumentando a pressão por um espaço maior e mais adequado.
A solução proposta pelo então presidente de Os Independentes, Mussa Calil Neto, parecia ainda mais ousada: levar a Festa para uma área rural de 40 alqueires, fora da cidade e adquirida pelo clube anos antes.
O local, que hoje abriga o Parque do Peão, era praticamente um descampado cercado por mata. A decisão provocou resistência em Barretos, e Mussa chegou a ser chamado de louco pelos moradores.
A primeira edição no novo endereço aconteceu em agosto de 1985, quando o Parque ainda estava longe da estrutura atual. Mesmo assim, a mudança já produziu um salto de público: o domingo da festa daquele ano reuniu 66 mil pessoas, número recorde para a época.
O Rock in Rio virou referência para o novo Barretão
A inspiração para transformar aquele terreno em um grande espaço de eventos veio, curiosamente, de um festival que não tinha bois, cavalos ou rodeios. Antes de se encontrar com Oscar Niemeyer no Rio de Janeiro, Mussa Calil e outros integrantes de Os Independentes foram conhecer a estrutura do primeiro Rock in Rio, realizado em janeiro de 1985 na Cidade do Rock, em Jacarepaguá.
A visita serviu para observar como um evento de grande porte poderia organizar milhares de pessoas em uma área aberta. O grupo analisou elementos que poderiam ser adaptados à Festa de Barretos, como:
- banheiros e instalações sanitárias;
- lanchonetes e pontos de alimentação;
- bilheterias e controle de acesso;
- sinalização e comunicação visual;
- organização das filas;
- estacionamento e circulação do público.
Mussa explicou que o Rock in Rio serviu principalmente como referência de infraestrutura e organização do público. Pouco depois, ele, Elias Couto e Tomaz Edson de Abreu Silva procuraram Oscar Niemeyer, que aceitou projetar o Parque do Peão e o estádio que se tornaria símbolo da Festa.
A primeira edição no novo espaço, em 1985, ainda utilizou uma estrutura provisória. O estádio permanente só foi construído em 1989, em apenas 81 dias, durante a gestão de João Paulo Nogueira. Inaugurada com capacidade para cerca de 35 mil pessoas sentadas, a arena permitiu ampliar a dimensão do evento.
Nas décadas seguintes, o Parque cresceu até ocupar cerca de 2 milhões de m², com novas áreas para eventos, negócios e entretenimento. A arena projetada por Niemeyer continua como seu principal símbolo arquitetônico.
Do primeiro rodeio à Festa que atrai milhões
Considerada o primeiro evento do gênero no Brasil e o maior festival de rodeio da América Latina. A Festa do Peão de Barretos carrega 70 anos de história construída sobre essa tradição pecuária. O Parque do Peão, que abriga o festival desde 1985, completou 40 anos em 2025.
O resultado é um complexo que hoje recebe quase 1 milhão de visitantes em uma única edição e movimenta centenas de milhões de reais. Em 2026, a organização investiu cerca de R$ 30 milhões em infraestrutura e passou a buscar novos grandes eventos para o Parque, incluindo festivais de outros gêneros musicais.













