A 71ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos terminou nesta sexta-feira (30), sete décadas depois de uma primeira edição muito diferente da atual. Em 1956, não havia caixas de som, arquibancadas fixas ou equipamentos profissionais. Os apresentadores Orlando Araújo e Orestes Ávila se revezavam no megafone, enquanto a tropa utilizada nas provas havia sido cedida gratuitamente por um produtor rural de Franca.
A primeira Festa ocorreu nos dias 25 e 26 de agosto de 1956, no Recinto Paulo de Lima Corrêa, em um antigo picadeiro de circo. A organização era do clube Os Independentes, fundado em 1955 por 20 jovens de Barretos. Para a primeira edição, outros 12 integrantes se juntaram ao grupo, totalizando 32 fundadores.
Além do rodeio, o público acompanhava catira, danças típicas, carros de boi e Queima do Alho. O Rancho nº 1, montado por Arthur Vaz de Almeida, o Tuti, funcionava como sede improvisada. O primeiro campeão foi Aníbal Araújo, peão de fazenda, com Beto Junqueira como juiz.
De um picadeiro ao Parque do Peão
O crescimento do público tornou o antigo recinto insuficiente. Em 1980, Os Independentes adquiriram uma área de 40 alqueires para construir uma nova sede e, em 1985, a 30ª edição já foi realizada no Parque do Peão. O complexo ganhou posteriormente o Estádio de Rodeios projetado por Oscar Niemeyer, inaugurado em 1989.
Hoje, o Parque reúne arena, palcos, camping, espaços gastronômicos e áreas comerciais, além de receber eventos durante todo o ano. A Festa também ajudou a popularizar o modelo de rodeio em outras cidades brasileiras, com peões viajando pelo país em busca de competições e prêmios.
O último fundador
A edição de 2026 teve ainda um significado especial: José Brandão Tupynambá, o Tupy, morreu em 3 de maio, aos 98 anos, tornando esta a primeira Festa realizada sem nenhum dos 32 fundadores ainda vivo. Ele era o último sobrevivente do grupo e participou da criação do evento em 1956.
Tupy presidiu Os Independentes em 1963 e 1964 e continuou ligado à cultura sertaneja. Em 2025, recebeu o título de Cidadão Honorário de Barretos e teve seu nome dado a um espaço de eventos no Parque do Peão.
O Rancho Ponto de Pouso mantém parte dessa tradição com catira, música caipira, berrante e Queima do Alho, manifestações que continuam presentes durante a Festa.
Sete décadas de transformação
A edição de 2026 encerrou 70 anos de transformações. A primeira Festa tinha animais emprestados, um megafone e estrutura improvisada; hoje, o evento reúne rodeio, shows, gastronomia, comércio e atrações culturais em um complexo de grande porte.
Para este ano, a organização estimou 990 mil visitas, R$ 600 milhões em movimentação financeira e R$ 30 milhões investidos em obras e melhorias. Apesar da expansão, tradições como a Queima do Alho, a catira, os berrantes e as competições originais continuam presentes.













