Aos 87 anos, Zé Luiz Niemeyer acumula mais de seis décadas dedicadas à criação e ao melhoramento genético do Nelore. À frente da Fazenda Terra Boa, em Guararapes (SP), transformou uma propriedade que começou com gado comercial em referência internacional em seleção genética.
Para ele, a pecuária exige mais que domínio técnico: depende também da conexão com a terra e os animais. Essa combinação entre ciência e sensibilidade orientou uma trajetória construída ao longo de gerações.
Do comercial ao centro de genética mundial
A trajetória de Niemeyer na Fazenda Terra Boa pode ser dividida em alguns marcos:
- 1948: a propriedade iniciou as atividades com gado comercial.
- 1965: Niemeyer assumiu a criação de Nelore e nasceu o primeiro bezerro PO da raça na fazenda.
- Melhoramento genético: foram incorporadas técnicas como inseminação artificial, fertilização in vitro, ultrassonografia, genotipagem e DEPs genômicas.
- Seleção do rebanho: o foco passou de animais muito grandes para um Nelore de tamanho moderado, mais precoce e adaptado ao Brasil Central, considerando produtividade, reprodução e desempenho.
- Reconhecimento: a Fazenda Terra Boa conquistou os três selos de excelência da ABCZ, incluindo o de sustentabilidade.
- Manejo: a observação do comportamento dos animais e a conservação de solo, água e vegetação passaram a integrar a estratégia produtiva.
O Nelore no desenvolvimento da pecuária
Niemeyer considera o Nelore fundamental para a pecuária brasileira e associa sua evolução ao avanço do melhoramento genético. O crescimento da produção nacional de carne ocorreu paralelamente à adoção de técnicas capazes de identificar e multiplicar animais superiores.
Além do Nelore, há cerca de 15 anos o pecuarista passou a investir no Brangus, adquiriu uma propriedade em Dourados (MS) e tornou-se referência também na seleção da raça. Ele atua como diretor da Associação Brasileira de Brangus.













