Uma descoberta feita quase por acaso no interior da Austrália transformou o trabalho de um horticultor em uma variedade de tamareira com potencial para chegar a milhões de exemplares. Em 2015, Glen Oliver identificou uma palmeira masculina diferente das demais no Arid Zone Research Institute (AZRI), em Alice Springs.
A variedade recebeu o nome de Oliver em homenagem ao trabalhador que a encontrou e despertou interesse principalmente nos Estados Unidos. Na Califórnia, produtores planejam multiplicar a palmeira em larga escala, com uma meta estimada por Oliver de 15 milhões a 17 milhões de exemplares.
Pólen diferente da tamareira Oliver entre milhares de palmeiras
A planta produzia uma quantidade excepcional de pólen e era a única tamareira masculina que, segundo Oliver, florescia três vezes na mesma estação. Como não produz frutos, seu pólen é usado para fecundar as palmeiras fêmeas.
Há quase duas décadas no AZRI, Oliver já havia trabalhado com diferentes culturas, como melões, alho, jujubas e amêndoas. Foi durante essa rotina que percebeu o comportamento incomum da tamareira. Intrigado com a quantidade de pólen, retirou uma muda e a enviou para análise genética.
O teste não encontrou correspondência com outras variedades masculinas conhecidas, e ele batizou a nova variedade com seu próprio nome.
A palmeira provavelmente havia sido plantada anos antes, sem que se soubesse que era diferente. A descoberta ocorreu durante pesquisas de fertilização no AZRI e revelou o potencial da planta.
Da Austrália central ao mundo
Depois de identificada, a variedade passou a ser multiplicada e cultivada em diferentes países, chegando a regiões como o Sudeste Asiático e os Estados Unidos. A Califórnia, um dos principais polos da produção de tâmaras do país, tornou-se um dos locais mais interessados na palmeira.
Segundo Oliver, a intenção dos produtores californianos é chegar a 15 milhões a 17 milhões de palmeiras Oliver, número muito superior à escala em que a planta existia quando foi descoberta no AZRI.
O interesse internacional já havia surgido pouco depois da descoberta. Em 2015, produtores de regiões tradicionais no cultivo de tâmaras, como Oriente Médio e norte da África, também demonstraram interesse pela capacidade da variedade de produzir grandes volumes de pólen.
Reconhecimento além da agricultura
A trajetória de Oliver também ganhou importância por sua relação com a formação de trabalhadores indígenas na agricultura. Ele é um homem Mitakoodi, do oeste de Queensland, e concluiu o Certificate III em Horticultura na instituição que hoje integra a Charles Darwin University, quando ainda se chamava Centralian College.
Rueben Bolt, integrante do povo Yuin e vice-reitor da universidade, considera a trajetória de Oliver um exemplo para jovens indígenas interessados na agricultura. A história mostra como trabalhadores que atuam diretamente no campo também podem participar de descobertas com impacto internacional.
Oliver, por sua vez, vê a repercussão da variedade como resultado da dedicação ao trabalho. Seu sobrenome, que antes identificava apenas um trabalhador da estação experimental em Alice Springs, passou a dar nome a uma tamareira cultivada em diferentes partes do mundo.













