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China desiste de comprar carne do Brasil e deixa o estado do Pará com 25 milhões de bois em apuros

Por Leticia Florenco
27/08/2026
China desiste comprar carne brasil

Carne de gado - Foto: Cindie Hansen/Unsplash

Com 25,56 milhões de cabeças de gado, o Pará ocupa a segunda posição entre os maiores rebanhos bovinos do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso, que reúne 32,85 milhões de animais. 

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Apesar da alta produção pecuária, o Estado ainda encontra obstáculos para transformar esse potencial em maior participação no comércio internacional.

Um dos principais desafios está na concentração dos destinos da carne bovina. 

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O Pará ainda não possui acesso a mercados estratégicos, como Estados Unidos, Chile, México e União Europeia, o que reduz as alternativas para o escoamento da produção, especialmente em momentos de retração das compras chinesas.

Para a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), essa falta de diversificação de mercados deixa o Pará entre os mais vulneráveis à queda das compras chinesas.

De acordo com levantamento da instituição a partir de dados da Secretaria de Comércio Exterior, as exportações brasileiras de carne bovina e derivados somaram US$ 1,63 bilhão em julho, resultado 5,6% menor que o registrado no mesmo mês de 2025.

Em volume, o total embarcado somou 308,2 mil toneladas, uma retração de 16%. A queda foi ainda mais forte na carne bovina in natura, que responde por 91% da receita do setor: as vendas caíram 5,7%, para US$ 1,447 bilhão, e o volume recuou 17,5%, fechando em 227,89 mil toneladas.

China concentra risco para o Pará

Segundo a Abrafrigo, boa parte dessa retração está associada à redução das compras chinesas. 

As vendas de carne in natura para o país asiático caíram 39,6% em receita, somando US$ 529,24 milhões, enquanto o volume despachado recuou 47,8%, para 82,7 mil toneladas.

Com a cota destinada ao Brasil próxima do limite, frigoríficos de Estados sem alternativas de mercado enfrentam um cenário mais apertado nos meses restantes de 2026. 

A avaliação da Abrafrigo é que esse excedente de produção dificilmente encontrará destino equivalente em outros países ou no mercado interno.

Rebanho grande, exportação pequena

Apesar do tamanho do rebanho bovino paraense, o Estado ocupa a quarta posição nacional em abates e a sétima entre os maiores exportadores de carne do país. 

Para a Abrafrigo, essa diferença mostra que o desempenho comercial do Pará está bem abaixo do potencial que o rebanho sugere.

A instituição também aponta consequências que vão além da balança comercial: produtores rurais, frigoríficos e serviços ligados à pecuária sentem o efeito direto da queda nas vendas. 

Some-se a isso o fato de o Brasil ser reconhecido como livre de febre aftosa sem necessidade de vacinação. 

Condição sanitária que a Abrafrigo usa como argumento para cobrar prioridade nas negociações que ampliem o acesso a novos mercados.

Novos destinos em disputa

Enquanto a China reduz espaço, outros mercados mostram sinais de crescimento e podem ganhar peso na estratégia dos frigoríficos brasileiros. 

Ainda assim, a Abrafrigo reforça que essas alternativas seguem insuficientes para compensar sozinhas o tamanho do excedente gerado por um rebanho do porte do paraense.

A organização cobra que o Pará seja tratado como prioridade nas negociações comerciais do governo brasileiro por reunir rebanho expressivo. E condição sanitária favorável, sem conseguir converter isso em posição de destaque nas exportações. 

O segundo semestre de 2026 deve mostrar se esse excedente de carne encontra novos compradores ou pressiona ainda mais o mercado interno.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenco

Leticia Florenco

Olá, me chamo Letícia Florenço. Sou filha da Terra da Luz, meu amado Ceará. Estudo Jornalismo e, atualmente, estou no último semestre, 8º.

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