Agricultores no Japão transformam campos de arroz em enormes obras de arte visíveis apenas do alto, criando uma tradição que atrai visitantes do Japão e do exterior.
Cada desenho usa variedades de arroz em diferentes cores, plantadas estrategicamente como se fossem tintas em uma tela gigante, visíveis de plataformas de observação a 50 metros de altura.
A prática começou em 1993 na aldeia de Inakadate, quando produtores criaram imagens com plantas roxas e amarelas para representar o Monte Iwaki.
O objetivo era mostrar o trabalho manual do cultivo de arroz e ensinar agricultura.
Desde então, a tradição se expandiu para outras regiões, com Gyoda iniciando seu próprio programa em 2008 para atrair turistas à região de Saitama, ao norte de Tóquio.
Arte em arroz que atrai visitantes de todo o mundo
Os desenhos variam ano a ano conforme o tema escolhido por comitês locais. Em 2019, Gyoda homenageou a Copa do Mundo de Rugby com uma representação do evento nos campos.
Para as Olimpíadas de Tóquio em 2021, os agricultores criaram imagens icônicas da cultura japonesa, incluindo a famosa onda e o Monte Fuji da xilogravura de Katsushika Hokusai, além de um ator kabuki com pintura facial marcante semelhante à da cerimônia de abertura.
Os organizadores presumiram que muitos turistas internacionais compareceriam aos Jogos Olímpicos.
Embora restrições pandêmicas tenham impedido espectadores estrangeiros, a obra continuou sendo admirada por quem conseguiu visitá-la.
Um visitante de 23 anos, Kiyo Hoshino, declarou à AFP que ficou impressionado com a escala da arte panorâmica e surpreso porque o desenho era muito mais complicado do que esperava.
Esforço comunitário e manutenção constante
Em um ano normal, aproximadamente mil pessoas participam do plantio das variedades corretas de arroz nos locais apropriados.
O processo exige precisão e coordenação e reúne voluntários com e sem experiência agrícola, além de crianças locais.
A pandemia reduziu pela metade o número de participantes, embora os interessados ainda pudessem participar da colheita em outubro.
Manter a qualidade artística exige limpeza regular dos campos: funcionários da agricultura percorrem a área com foices para evitar que as diferentes cores se misturem ou se contaminem com outras plantas.
Reconhecimento mundial
Gyoda estabeleceu um recorde no Livro Guinness em 2015, ao criar a maior obra de arte em campos de arroz do mundo, com 28 mil metros quadrados.
A imprensa japonesa e internacional documentou o fenômeno, e o Imperador e a Imperatriz do Japão visitaram os campos de Inakadate em setembro de 2014.
Experiência turística
A obra de Inakadate atrai mais de 100 mil visitantes anualmente. Além de atrair turistas, o projeto tem objetivo educacional: oferece a oportunidade de aprender sobre agricultura.
Os passeios de plantio começam em junho, e os de colheita ocorrem no fim de setembro. As duas atividades são gratuitas e incluem refeições para os participantes.
A cada temporada, quando novas plantas começam a preencher os campos, os agricultores voltam a transformar o arroz em uma tela viva.
O resultado só aparece completamente do alto, mas depende de meses de planejamento, trabalho coletivo e precisão no cultivo.













