Para Jim Rogers, um dos investidores mais conhecidos do mercado de commodities, a próxima grande mudança econômica pode vir do campo. Em entrevista a Steve Forbes, em 2012, afirmou que profissionais do mercado financeiro poderiam perder espaço enquanto agricultores eficientes se tornariam cada vez mais valorizados.
A previsão foi feita de forma provocativa: Rogers disse que os corretores mais inteligentes aprenderiam a dirigir tratores para trabalhar para agricultores bem-sucedidos, enquanto os fazendeiros dirigiriam Lamborghinis.
A lógica era que, após décadas de concentração de capital no setor financeiro, a escassez de alimentos e o aumento da demanda poderiam mudar a relação de poder entre as atividades econômicas.
Jim Rogers investidor internacional aposentado aos 37 anos
Rogers estudou História em Yale e Filosofia, Política e Economia em Oxford. Em 1973, fundou com George Soros o Quantum Fund, que acumulou cerca de 4.200% de retorno nos dez primeiros anos. Aos 37 anos, deixou a gestão ativa e passou a se dedicar aos próprios investimentos, à escrita e às viagens.
Entre suas grandes jornadas estão:
- 1990 a 1992: 100 mil milhas de motocicleta por seis continentes;
- 1999 a 2002: viagem de carro por 116 países, experiências que deram origem a livros como Investment Biker e Adventure Capitalist.
Por que Rogers aposta na agricultura
A tese de Rogers parte da relação entre oferta, demanda e escassez. Para ele, durante décadas houve excesso de capital e profissionais no mercado financeiro, enquanto a agricultura recebeu menos investimentos e atraiu menos jovens. Se a demanda por alimentos continuar crescendo e terras, água e mão de obra qualificada permanecerem limitadas, os produtores agrícolas poderão ganhar maior poder econômico.
Essa visão também orientou seus investimentos, com foco em commodities, fertilizantes e agricultura. Em 2014, por exemplo, Rogers entrou para o conselho da fabricante russa de fertilizantes PhosAgro.
A previsão sobre os agricultores faz parte de uma visão mais ampla de Rogers sobre a mudança do centro econômico mundial. O investidor defende há décadas que a Ásia, especialmente a China, terá papel cada vez maior na economia global.













