Sêmen guardado em um laboratório de Sydney desde 1968 foi descongelado e usado para inseminar ovelhas Merino, resultando em 34 gestações após cinco décadas de congelamento.
A taxa de sucesso reprodutivo foi de 61%, próxima à obtida com amostras congeladas 12 meses antes, que chegaram a 59%.
Pesquisadores da Universidade de Sydney descongelaram o sêmen armazenado a 196 graus negativos em nitrogênio líquido e testaram sua capacidade reprodutiva.
Testes laboratoriais avaliaram a mobilidade, a velocidade, a viabilidade e a integridade do DNA do sêmen congelado por 50 anos.
Os pesquisadores não detectaram diferença em relação às amostras preservadas havia apenas um ano.
Viabilidade reprodutiva de ovelhas Merino após cinco décadas
De 56 ovelhas inseminadas com o sêmen de 1968, 34 engravidaram, uma taxa de 61%. Em comparação, 1.048 ovelhas foram inseminadas com sêmen recentemente congelado de 19 carneiros diferentes, resultando em 618 gestações bem-sucedidas, uma taxa de 59%.
A diferença é estatisticamente equivalente, e a Universidade de Sydney informou que os achados abrem expectativas para a indústria de reprodução animal, segundo Simon de Graaf, professor associado responsável pela pesquisa.
Segundo de Graaf, a descoberta permite estudar o progresso genético da indústria de lã nos últimos 50 anos de seleção reprodutiva, comparando os rebanhos de então com os atuais.
As características genéticas preservadas no tempo
Cordeiros de sêmen congelado há 50 anos parecem exibir pregas corporais dos Merinos de meados do século passado, característica selecionada para maximizar produção de lã.
Esse traço genético caiu em desuso posteriormente porque as dobras dificultavam a tosquia e elevavam o risco de infestação parasitária.
A Dra. Jessica Rickard, colega de de Graaf no projeto, conduziu o trabalho inicial que avaliou a viabilidade do sêmen armazenado para inseminação artificial.
Ela realizou testes in vitro que analisaram a qualidade do esperma após cinco décadas de armazenamento.
A origem histórica das amostras
A família Walker, proprietária de rebanhos na região de Yass Plains, doou o sêmen nos anos 1960. O pesquisador Dr. Steven Salamon congelou o material em 1968.
As amostras vieram de quatro carneiros criados na propriedade Ledgworth e ligados às linhagens Ledgworth, Merryville e Boonoke, que se tornaram conhecidas na indústria laneira.
O carneiro Boonoke, conhecido como ‘Sir Freddie’, nasceu em 1959 e foi vendido à propriedade Ledgworth em 1961 por 345 guinéus, um valor que refletia sua importância genética na época.
A família Walker mantém hoje um rebanho de 8.000 ovelhas, perpetuando a tradição de criação que começou décadas atrás.
A cooperação entre a família de criadores e a Universidade de Sydney favoreceu a pesquisa. A universidade tem mais de 60 anos de experiência em pesquisa animal.
Sêmen preservado há décadas abre novas possibilidades para a reprodução animal
O experimento transforma uma amostra preservada por cinco décadas em uma oportunidade única de observar, no presente, os resultados de escolhas genéticas feitas no passado.
A capacidade do sêmen de 1968 de gerar novas gestações demonstra a importância da conservação de material reprodutivo e pode ajudar pesquisadores a acompanhar as mudanças que a seleção genética provoca nos rebanhos ao longo do tempo.













