Uma cigarrinha de apenas 2 a 3 milímetros pode causar grandes prejuízos às lavouras de arroz. A Tagosodes orizicolus, conhecida como cigarrinha-do-arroz ou sogata, suga a seiva das plantas e pode provocar seu enfraquecimento e morte. Em infestações severas, a praga é capaz de comprometer toda a produção.
Diante do avanço dos surtos registrados nos últimos anos, pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) avaliaram diferentes materiais genéticos em busca de fontes de resistência. Dois apresentaram os melhores resultados: a BRS A705 e o genótipo BGA 6.914.
Materiais genéticos resistentes à cigarrinha-do-arroz
- BRS A705: cultivar lançada em 2022, já disponível comercialmente nas regiões com recomendação agronômica e indicada como alternativa de manejo.
- BGA 6.914: ainda não está disponível para plantio. Mantido no Banco Ativo de Germoplasma da Embrapa Arroz e Feijão, será usado no desenvolvimento de novas variedades resistentes.
- Melhoramento: a Embrapa busca combinar a resistência desses materiais com outras características agronômicas de cultivares utilizadas na América do Sul.
Como o inseto ataca a lavoura
- Alimentação: a cigarrinha suga a seiva de folhas, colmos e panículas, provocando amarelecimento e enfraquecimento das plantas, que podem morrer em ataques severos.
- Fumagina: o inseto libera uma substância açucarada que favorece fungos, formando uma camada escura sobre as folhas e reduzindo a fotossíntese.
- Dispersão: os adultos costumam chegar de áreas próximas e iniciar a infestação pelas bordas da lavoura, formando reboleiras à medida que se reproduzem.
- Além do arroz: aveia, trigo, cevada, centeio e sorgo também podem hospedar a cigarrinha.
O controle deve considerar as áreas próximas à lavoura e o histórico de cultivos da propriedade, já que essas plantas podem ajudar a manter a praga entre os ciclos do arroz.
Um problema que cresceu com o tempo
Embora a cigarrinha já estivesse presente no Brasil, durante anos não provocou perdas expressivas no arroz irrigado ou de terras altas. O cenário mudou em 2018, com surtos em Santa Catarina, e novos focos surgiram em 2020, incluindo no Vale do Paraíba, em São Paulo.
Como não há inseticidas registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) especificamente contra a praga, materiais resistentes ganham importância. A Embrapa investiga o avanço dos surtos, incluindo a possibilidade de calor e menor umidade no verão favorecerem a multiplicação do inseto.
O uso inadequado de inseticidas também preocupa, pois pode eliminar inimigos naturais da cigarrinha. Mesmo com variedades resistentes, o manejo deve incluir monitoramento constante, preservação do controle biológico e outras práticas recomendadas pela assistência técnica.













