Massas de sardinhas mortas ou agonizantes têm aparecido na costa oeste e na costa sul da África do Sul, e cientistas investigam se um vírus herpes está por trás da mortandade em massa.
O Departamento de Florestas, Pescas e Meio Ambiente do país ainda não havia chegado a uma explicação definitiva quando anunciou uma descoberta inédita: o vírus do herpes de sardinha, conhecido como PHV, foi identificado nesses peixes sul-africanos pela primeira vez.
O vírus em questão já havia sido ligado a dois eventos de mortandade em massa de sardinhas na Austrália, onde causava inflamação e espessamento das guelras do animal, interferindo na absorção de oxigênio.
Sardinhas mortas apontam para infecção por vírus herpes
Cientistas do South African Institute for Aquatic Biodiversity e de universidades locais coletam amostras, algumas mortas, outras vivas, das áreas afetadas para análise em laboratório.
Os resultados iniciais mostram que peixes mortos retirados dos eventos de mortandade apresentavam níveis consistentemente altos de PHV, enquanto os vivos que foram examinados tinham níveis variáveis do vírus.
Os cientistas também consideraram outras causas possíveis: algas nocivas no oceano, temperaturas anormalmente baixas ou falta de oxigênio na água.
Apesar disso, a evidência aponta cada vez mais para o PHV como a explicação principal.
Dalene Vosloo, bióloga da Universidade de KwaZulu-Natal não envolvida na investigação, alertou que o quadro pode ser mais complexo, múltiplos fatores podem ter contribuído para o evento.
Mudanças na qualidade ou temperatura da água, segundo ela, deixam os peixes mais vulneráveis a doenças.
Complicações além da costa
As consequências da mortalidade extrapolaram o ecossistema marinho.
A Usina Nuclear de Koeberg, localizada ao norte de Cape Town e única usina nuclear da África, precisou reduzir a potência em 50% em uma de suas duas unidades depois que sardinhas mortas entupiram o sistema de captação de água do mar.
A empresa estatal de eletricidade confirmou o incidente.
Vírus não representa risco conhecido para consumidores
Apesar da preocupação ambiental, a presença do PHV não significa um risco conhecido para a saúde humana.
Segundo o Departamento de Florestas, Pescas e Meio Ambiente, o vírus afeta peixes e não há indicação de que represente ameaça às pessoas.
Sardinhas capturadas comercialmente e produtos enlatados permanecem seguros para o consumo.
Enquanto as equipes continuam coletando e analisando amostras, a principal questão permanece sem resposta: o PHV é o responsável direto pela morte das sardinhas ou apenas um dos elementos envolvidos no fenômeno?
A investigação deverá ajudar a esclarecer essa relação e também a determinar se as condições ambientais da costa sul-africana contribuíram para tornar os peixes mais vulneráveis à infecção.













