O preço do frango deve subir nos próximos meses na Austrália, mesmo que o vírus H5N1 não chegue às granjas comerciais.
A indústria enfrenta custos crescentes com ração e mão de obra, além da pressão adicional gerada pela guerra no Oriente Médio.
Embora o surto de gripe aviária tenha afetado apenas animais selvagens no país até agora. Cresce a preocupação com o abastecimento e com aumentos de preço caso o vírus atinja as aves comerciais.
A Ingham’s Group abastece 40% do frango nacional, incluindo todos os grandes supermercados, lojas de fast food e o mercado atacadista, e já se prepara para uma possível contaminação.
Gripe aviária e pressão nos preços do frango
A chegada do vírus a uma granja comercial poderia provocar consequências imediatas para a produção.
Quando uma ave de um lote é infectada pelo H5N1, normalmente é necessário realizar o abate sanitário de todo o grupo devido à elevada capacidade de transmissão e à letalidade do vírus entre as aves.
A experiência de outros mercados serve de alerta para a indústria australiana. Europa e Estados Unidos convivem com surtos de gripe aviária há mais de cinco anos, período em que a doença provocou perdas significativas na produção.
Na Europa, aproximadamente 120 milhões de aves comerciais foram eliminadas desde o início dos surtos.
Os impactos foram especialmente fortes sobre o mercado de ovos, que depende de aves mantidas por períodos mais longos.
Diante desse cenário, a Ingham’s enviou executivos à Europa para acompanhar as estratégias utilizadas pela indústria e preparar a empresa e os produtores parceiros para uma eventual chegada do vírus às criações australianas.
A companhia reforçou investimentos em biossegurança, vigilância sanitária, planejamento de cenários e protocolos de resposta para reduzir a possibilidade de disseminação da doença.
Preparação e diversificação reduzem riscos
A empresa diversificou suas fábricas de ração, granjas, incubatórios, instalações de processamento e infraestrutura de distribuição em seis estados.
Isso coloca a Ingham’s em posição mais forte que a concorrência para enfrentar um surto. Um foco de infecção em um local não resulta automaticamente em interrupção de toda a rede de operações.
Executivos da empresa alertam que criadores de ovos correm maior risco em caso de surto porque as aves mais velhas são ligeiramente mais suscetíveis ao vírus aviário e, geralmente, há controles de biossegurança menos rigorosos nesse segmento da indústria.
Custos já pressionam os preços independentemente do vírus
Vários fatores afetam o custo de produção de frango, mas um surto em granjas de frangos de corte resultaria no abate sanitário das aves.
Dependendo de quantos outros galpões estivessem na zona de biossegurança declarada, o abastecimento poderia ser prejudicado. O custo médio de venda da Ingham’s em 2025-26 foi de $6,50 por quilograma.
A empresa enfrenta custos extras de R$ 130 milhões em 2026-27, impulsionados por uma combinação de preços de ração, despesas ligadas à situação no Oriente Médio e inflação já incorporada nas contas.
As variações no varejo acompanham mudanças na base de custos, e por isso, essas pressões chegarão aos preços nas prateleiras.
Consumo segue firme apesar das preocupações
As vendas de frango não estão desacelerando, segundo a Ingham’s, que fornece mais de 400 mil toneladas anuais para a cadeia de alimentos australiana.
A comunicação sobre a situação tem mantido a confiança dos consumidores, mesmo com as incertezas sobre oferta e custos que recaem sobre a indústria.
Se o vírus alcançar as granjas comerciais, porém, a situação poderá se tornar mais complexa.
Além das despesas adicionais com biossegurança e controle sanitário, o abate de lotes e eventuais restrições em áreas afetadas poderiam reduzir a oferta.













