Com cerca de US$ 1,2 bilhão movimentados em exportações, o Brasil está entre os três maiores exportadores de couro do mundo.
O país fica atrás apenas da Itália, que registra aproximadamente US$ 2,7 bilhões em comércio internacional do produto.
A força brasileira no mercado externo está associada à dimensão da cadeia pecuária e à capacidade da indústria de atender diferentes segmentos.
No mercado interno, os móveis estofados são o principal destino do couro produzido no país, absorvendo cerca de 40% da matéria-prima.
O setor automotivo aparece na sequência, com aproximadamente 36% do consumo. Já a indústria de calçados e artefatos representa cerca de 19%.
Desde 2008, a participação do segmento automotivo na cadeia brasileira de couro aumentou de forma notável.
Atualmente, o setor responde por mais de um terço das exportações brasileiras de couro, impulsionado pela demanda internacional por matérias-primas com maior padrão de qualidade e rastreabilidade.
Certificações internacionais impulsionam exportações de couro
A expansão do couro brasileiro no mercado automotivo internacional também exige o cumprimento de normas técnicas e ambientais cada vez mais rigorosas.
Os fabricantes trabalham com fornecedores certificados e exigem controle de produtos químicos, certificações internacionais e capacidade de produzir em escala sem perder a qualidade.
A certificação emitida pelo Leather Working Group (LWG) exemplifica essa demanda. O órgão audita curtumes em múltiplos países e prioriza critérios de sustentabilidade e aproveitamento de recursos.
O Brasil possui 65 empresas auditadas e impressiona com taxa de 86% delas atingindo a classificação máxima, a medalha de ouro.
Na Itália, tradicional centro do setor, menos da metade dos curtumes auditados conquista esse patamar.
Qualidade desde a origem define o valor final
Parte dos problemas que reduzem o valor do couro surge ainda durante a criação do animal.
Ferimentos, marcas e outros danos provocados na pele permanecem depois do abate e podem comprometer o aproveitamento da matéria-prima.
Marcas e ferimentos sofridos pelo gado durante a criação permanecem na pele após o processamento e reduzem o aproveitamento da matéria-prima.
Historicamente, o arame farpado usado em cercas provocava lesões que inviabilizavam trechos inteiros do couro.
A mudança para o arame liso diminuiu esse desperdício, mas as marcas de fogo passaram a ser um novo desafio.
Um couro pode apresentar, em média, três a quatro marcas de fogo. Essas áreas inutilizadas têm impacto maior quando ficam na região mais nobre da pele, usada para peças grandes, como bancos de automóvel e estofados de móveis.
Ectoparasitas, principalmente carrapatos, também prejudicam a qualidade, e a pecuária moderna, com abate mais jovem, reduz o tempo de exposição do gado a esses parasitas e diminui os defeitos resultantes.
Menos processamento, maior valor
Na indústria, a flor do couro é considerada a parte mais nobre da matéria-prima.
Quando há muitos defeitos, os fabricantes recorrem à lixa e a produtos químicos para uniformizar a superfície. Esse acabamento, porém, retira a aparência natural e reduz o apelo visual do produto final.
Mercados e clientes diferentes exigem especificações próprias, e o setor automotivo, por exemplo, busca resistência, maciez e comportamento previsível da matéria-prima.
Mercado internacional exige padrões diferentes
As especificações não são iguais em todos os mercados. Compradores da Ásia, Europa e Américas podem adotar parâmetros distintos de qualidade, acabamento e desempenho.
O fornecimento para montadoras é ainda mais rigoroso. Além das exigências específicas da indústria automobilística, as empresas precisam atender certificações como a IATF, passar por auditorias periódicas e manter investimentos contínuos em tecnologia, controle de processos e qualidade.













