O arroz, presente diariamente na mesa de milhões de brasileiros, entrou em uma nova fase de valorização e já acumula uma alta expressiva no mercado. No Rio Grande do Sul, principal estado produtor do cereal, a saca de 50 quilos passou de R$ 60,33 em 1º de julho para R$ 73,60 em 13 de agosto, avanço de 22%, segundo a Consultoria Agro do Itaú BBA. E a pressão continuou: o indicador CEPEA/IRGA chegou a R$ 78,06 em 28 de agosto, com alta de 13,74% no mês.
A valorização ocorre em um mercado com oferta mais enxuta, produtores segurando parte do produto e indústrias buscando recompor estoques. A expectativa de uma próxima safra mais apertada e os efeitos do El Niño, que pode alterar as condições de produção em diferentes regiões do país, também aumentam a preocupação com os preços.
Pressão nos preços do arroz vem de vários lados
A alta é resultado de uma combinação de fatores:
- Oferta mais restrita: a safra brasileira 2025/26 está estimada em 11,1 milhões de toneladas, queda de 13,1% em relação ao ciclo anterior;
- Produtores mais cautelosos: parte dos agricultores reduziu o ritmo de vendas, esperando condições melhores de comercialização;
- Indústrias recompondo estoques: beneficiadoras passaram a comprar mais em um cenário de disponibilidade menor;
- Dólar valorizado: a moeda americana tornou o arroz brasileiro mais competitivo no exterior;
- Exportações elevadas: os embarques chegaram a 1,2 milhão de toneladas entre janeiro e julho, 25% acima do mesmo período de 2025.
Esse cenário diminui a quantidade disponível no mercado interno justamente durante a entressafra, período em que a oferta tende a ficar mais dependente dos estoques armazenados.
Próxima safra preocupa analistas e governo
O setor já voltou a atenção para 2026/27, e a expectativa é de nova queda na produção brasileira e menor disponibilidade no Mercosul, criando um ambiente de pressão contínua nos preços. O El Niño também ameaça a produção futura e aumenta a percepção de risco.
Foi nesse contexto que a Companhia Nacional de Abastecimento anunciou a compra de 310 mil toneladas de arroz pela Política de Garantia de Preços Mínimos. A aquisição reforça os estoques públicos e cria um colchão contra possíveis perdas climáticas.
Retirar esse volume do mercado reduz o excedente disponível e pode até incentivar produtores a reter parte da colheita num momento de reequilíbrio.
Recursos federais tentam blindar abastecimento
Diante dos riscos para o abastecimento, o governo federal editou a Medida Provisória nº 1.384, que abriu R$ 924,99 milhões em crédito extraordinário para ações relacionadas aos impactos do El Niño sobre o abastecimento e a segurança alimentar. Desse total:
- R$ 849,79 milhões foram destinados à Conab para formação de estoques públicos;
- R$ 75,2 milhões ficaram para ações de segurança alimentar do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social;
- os recursos da Conab podem financiar a aquisição de produtos como arroz e milho.
Além disso, a Conab anunciou a aquisição de 310 mil toneladas de arroz por meio da Política de Garantia de Preços Mínimos. A medida busca formar uma reserva pública diante dos riscos de oferta, embora a retirada de produto do mercado também possa reduzir a disponibilidade imediata durante a entressafra.













