A carne bovina brasileira pode ganhar novo fôlego no mercado chinês em setembro, depois de meses de pressão provocada pelo limite de importação estabelecido por Pequim. A China informou em agosto que 90% da cota destinada ao Brasil para 2026 já havia sido utilizada, o equivalente a 995,4 mil toneladas. O país tem direito a exportar 1,106 milhão de toneladas dentro da cota, com tarifa de importação de 12%.
A aproximação do limite preocupa porque, quando a cota for totalmente preenchida, as cargas que excederem o volume autorizado estarão sujeitas a uma sobretaxa de 55%, elevando a tarifa de importação de 12% para 67%. A medida faz parte da salvaguarda adotada pela China para proteger os produtores locais e está prevista para vigorar de 2026 a 2028.
Cota chinesa mudou o ritmo dos frigoríficos
A utilização da cota chinesa passou de 80% em 21 de julho para 90% em menos de três semanas, levando frigoríficos a reduzir os embarques. Em julho, foram enviadas 85,7 mil toneladas, 47% menos que em junho, enquanto a receita caiu de US$ 1,08 bilhão para US$ 537,8 milhões.
A cota de 1,106 milhão de toneladas é 35% menor que as 1,70 milhão de toneladas exportadas em 2025. Para evitar sobretaxas, frigoríficos reduziram turnos, concederam férias coletivas e suspenderam contratos.
Há ainda diferença na contabilização: a China considera a carne no desembaraço aduaneiro, enquanto empresas brasileiras também contabilizam cargas já embarcadas e em trânsito. Assim, contêineres podem chegar após o fim da cota e ficar sujeitos à sobretaxa.
Negociações podem trazer alívio em setembro
O Brasil negocia com a China ampliação ou flexibilização da cota, incluindo o aproveitamento de volumes não utilizados por outros fornecedores. A salvaguarda não é exclusiva do Brasil, mas o país recebeu a maior cota entre os fornecedores.
Uma flexibilização permitiria aos frigoríficos retomar abates e compras de gado, aumentando a demanda e dando maior previsibilidade aos pecuaristas. No 2º trimestre de 2026, o abate bovino cresceu 3,5%, para cerca de 21 milhões de cabeças, enquanto a produção de carne avançou 6%, segundo o IBGE.
A pressão chinesa ocorre junto a novas barreiras na União Europeia, que restringiu produtos de origem animal brasileiros, enquanto os EUA abriram uma cota adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra por 90 dias, a partir de 1º de setembro. Nesse cenário, um acordo com a China ajudaria a evitar excesso de oferta no mercado interno e reduzir a pressão sobre frigoríficos e produtores.













