Duas fêmeas de lagostim-vermelho-da-luisiana foram registradas oficialmente pela primeira vez na Amazônia, marcando o início de uma possível invasão biológica que preocupa cientistas.
Encontrados em 2018 na praia do Cruzeiro, em Belém, os animais só foram catalogados em agosto de 2026. O registro foi publicado na Scientific Electronic Library Online.
Originário do sul dos Estados Unidos e do nordeste do México, o Procambarus clarkii é uma espécie amplamente conhecida por sua capacidade de adaptação e dispersão.
Quando animais desse tipo ultrapassam suas fronteiras biogeográficas originais, os pesquisadores classificam o evento como bioinvasão.
Espécie pode competir com animais nativos
A principal preocupação está na capacidade do lagostim de competir com espécies nativas por alimento, abrigo e espaço.
Caso consiga se estabelecer e se reproduzir na região amazônica, o crustáceo poderá ocupar ambientes utilizados por espécies locais e alterar relações ecológicas já estabelecidas.
Lagostim pode carregar patógenos
Além da competição direta com a fauna nativa, outro risco envolve a possibilidade de introdução de organismos causadores de doenças.
O Procambarus clarkii pode atuar como hospedeiro do Aphanomyces astaci, um patógeno aquático associado à chamada peste do lagostim.
Ausência de predadores aumenta preocupação
Outro fator que chama a atenção dos pesquisadores é a possibilidade de o lagostim encontrar condições favoráveis para se estabelecer na Amazônia.
Em um ambiente onde não existam predadores capazes de controlar sua população de maneira eficiente, uma espécie introduzida pode encontrar menos barreiras naturais para sobreviver e se reproduzir.
Para os cientistas, identificar uma espécie potencialmente invasora nas primeiras etapas de sua chegada é fundamental.
Quanto mais avançado estiver o processo de estabelecimento e dispersão, maiores tendem a ser as dificuldades para controlar a população e evitar impactos sobre a fauna nativa.













