O produtor rural paranaense terá de acompanhar o céu com atenção redobrada nos próximos meses. O El Niño deve ganhar força na primavera e aumentar a ocorrência de períodos de chuva intensa no Paraná, favorecendo tempestades severas, granizo, vendavais e, em situações específicas, tornados.
Segundo o Simepar, com base em dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte supera 90%. Nessa classificação, a temperatura da superfície do Pacífico Equatorial fica pelo menos 2°C acima da média histórica. O pico de intensidade é esperado entre outubro e dezembro.
A influência deve continuar no verão de 2026/2027 e pode se estender pelos primeiros meses de 2027. O principal efeito esperado é o aumento das chuvas, especialmente na primavera, mas a concentração de grandes volumes em poucos episódios pode dificultar a colheita, atrasar o plantio e ampliar as perdas causadas por tempestades.
O que o El Niño muda no Paraná
- Fenômeno: O aquecimento anormal do Pacífico Equatorial altera a circulação atmosférica e favorece períodos mais chuvosos no Sul do Brasil.
- Tornados: O El Niño não provoca tornados diretamente. Eles dependem da combinação de calor, umidade, instabilidade, baixa pressão e cisalhamento do vento.
- Eventos recentes: Em novembro de 2025, um tornado F4 atingiu Rio Bonito do Iguaçu, com ventos de até 418 km/h e rastro de cerca de 75 quilômetros. Em janeiro de 2026, tornados F1 e F2 atingiram Mercedes e São José dos Pinhais, respectivamente.
- Duas safras sob pressão
O aumento da chuva chega em um momento delicado para o campo. Enquanto trigo e cevada entram na fase final do ciclo, soja e milho começam a ser implantados.
Na colheita, a umidade excessiva dificulta a entrada de máquinas e pode comprometer a qualidade dos grãos. Na cevada, o risco é relevante porque o Paraná é o principal produtor brasileiro. Para 2026, a produção estadual é estimada em mais de 550 mil toneladas, em aproximadamente 126 mil hectares, segundo o IDR-Paraná.
Na sequência, soja e milho recém-semeados ficam expostos a chuvas torrenciais, que podem provocar erosão, remover sementes e obrigar o produtor a replantar áreas. Na soja, períodos prolongados de umidade também favorecem doenças e reduzem as janelas para aplicação de fungicidas.
O problema não está apenas no volume acumulado, mas na concentração da chuva. Uma propriedade pode terminar o mês com precipitação próxima da média e, ainda assim, enfrentar tempestades em poucos dias, interrompendo colheitas, plantios e aplicações.
Seguro rural
Com a maior exposição a eventos extremos, o seguro rural ganha importância, mas o custo pode ser uma barreira para pequenos e médios produtores.
O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural reduz parte do valor pago pelo produtor. Para 2025 a 2027, a subvenção é, em regra, de 40% do prêmio para as atividades contempladas e de 20% para a soja. O limite é de R$ 60 mil por beneficiário em cada grupo de atividades, com teto anual de R$ 120 mil.
Após uma tempestade, o produtor deve comunicar a seguradora, o corretor ou a instituição financeira responsável pelo contrato e documentar os danos antes de remover destroços ou realizar reparos.
Fotos, vídeos, notas fiscais e registros de produção ajudam na comprovação das perdas. Dados meteorológicos, imagens de satélite e laudos técnicos também podem ser utilizados para confirmar a ocorrência e a intensidade do evento.













