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Especialistas revelam mudança preocupante na Amazônia e fazem alerta para o que pode acontecer nos próximos anos

Por Yasmin Henrique
15/09/2026
Especialistas revelam mudança preocupante amazônia

Foto: Christopher Borges/Pexels

Uma das áreas mais preservadas da Amazônia está apresentando um comportamento climático que surpreendeu os pesquisadores. No centro e no norte do bioma, os extremos de calor durante a estação seca estão aumentando muito mais rapidamente do que a temperatura média da floresta.

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A região analisada ocupa mais de 700 mil quilômetros quadrados, área próxima à do Chile. Desde 1981, os extremos de temperatura aumentaram pelo menos 0,75°C por década, acumulando uma alta superior a 3,2°C em 43 anos.

O resultado aparece em um estudo publicado na revista Communications Earth & Environment, assinado por 53 cientistas de diferentes países. Para chegar aos resultados, a equipe dividiu a Amazônia em áreas de 11 quilômetros e cruzou dados de satélites, estações meteorológicas e informações sobre temperatura e chuva.

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O que está mudando

O aquecimento não ocorre de maneira uniforme em toda a floresta. A temperatura média anual da Amazônia aumenta cerca de 0,21°C por década, mas os eventos extremos avançam em ritmo maior.

Na região central e norte, o estudo identificou aumentos particularmente expressivos durante a estação seca, justamente quando a disponibilidade de água já é menor.

  • 0,21°C por década: aumento da temperatura média anual da Amazônia;
  • 0,49°C por década: crescimento médio do 95º percentil das temperaturas máximas;
  • mais de 0,75°C por década: aumento dos extremos em partes do centro-norte;
  • mais de 3,2°C: alta acumulada dos extremos na área mais afetada desde 1981.

O sul da Amazônia continua apresentando o maior aquecimento quando considerada a temperatura média. A diferença é que, no centro-norte, os pesquisadores encontraram uma aceleração particularmente forte dos extremos de calor e do estresse hídrico.

Uma região antes considerada protegida

A área mais afetada fica longe do arco do desmatamento e concentra floresta preservada, savanas e territórios indígenas. O padrão, portanto, não pode ser explicado apenas pela devastação local. Mudanças climáticas regionais e globais também influenciam o cenário.

Calor extremo e falta de água aumentam a vulnerabilidade da floresta a incêndios e outros impactos. Os sinais já apareceram:

  • 19 mamíferos mortos em uma área próxima a Manaus durante a seca de 2023;
  • 209 botos mortos no lago de Tefé, no mesmo período;
  • 4,2 milhões de hectares atingidos pelo fogo na Amazônia em 2024;
  • 19% de aumento nos alertas de degradação florestal.

O cenário pode se agravar com o El Niño previsto para 2026 e 2027. A NOAA estima mais de 90% de probabilidade de um evento muito forte, capaz de favorecer condições mais quentes e secas na Amazônia. O estudo, porém, não atribui diretamente o aquecimento do centro-norte ao fenômeno.

Nova área de preocupação

O avanço dos extremos climáticos ameaça não só a biodiversidade. Como a Amazônia influencia a circulação de umidade na América do Sul, secas mais intensas, calor extremo e incêndios podem afetar também:

  • disponibilidade de água e produção de alimentos;
  • transporte pelos rios e saúde das populações;
  • biodiversidade e regeneração da floresta.

Para Liana Anderson, do Inpe, a frequência e a intensidade desses eventos aumentam a pressão sobre ecossistemas e comunidades. Luiz Aragão, também do instituto e autor do estudo, chama atenção para a aceleração observada no centro-norte, região ainda menos pressionada pelo desmatamento e pelas queimadas.

O sul da Amazônia segue entre as áreas mais afetadas pelo aquecimento médio e pela perda de cobertura vegetal. Já o centro-norte surge como um novo ponto crítico quando o foco está nos extremos de calor e no déficit hídrico. 

Perguntas e respostas
P
Qual área da Amazônia apresentou aumento mais rápido nos extremos de calor durante a estação seca?
R
O centro e o norte do bioma.
P
Qual foi a taxa de aumento da temperatura média anual da Amazônia por década segundo a matéria?
R
Cerca de 0,21°C por década.
P
Quanto aumentaram os extremos de temperatura em partes do centro-norte desde 1981, em termos de taxa por década e de alta acumulada?
R
Mais de 0,75°C por década; alta acumulada superior a 3,2°C em 43 anos.
P
Que tipos de evidências e dados a equipe usou para chegar aos resultados do estudo?
R
Dividiram a Amazônia em áreas de 11 quilômetros e cruzaram dados de satélites, estações meteorológicas e informações sobre temperatura e chuva.

Para os pesquisadores, conservar a floresta, conter o desmatamento, reduzir o uso inadequado do fogo e ampliar o monitoramento climático são medidas para reduzir essa vulnerabilidade.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Yasmin Henrique

Yasmin Henrique

Sou uma jovem de 20 anos que cursa jornalismo na federal de Alagoas. Paulista de nascença, moro há mais de uma década no estado nordestino. Desde pequena fascinada pelo mundo da leitura e da escrita, sempre adorei a ideia de informar as pessoas e meus textos fazerem a diferença na vida de alguém. Ainda estou começando na trilha profissional, mas planejo alcançar muita coisa. Quando não estou estudando, sou redatora do Consulta Pública.

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