O Paraná enfrenta uma sequência de temporais justamente no início da safra de verão. Desde 9 de setembro, chuvas intensas, vendavais, granizo e tornados atingiram diferentes regiões do Estado, deixando um rastro de danos.
Até 14 de setembro, 72 municípios haviam registrado ocorrências, com mais de 20 mil pessoas afetadas e quatro mortes confirmadas, segundo a Defesa Civil. Os temporais provocaram alagamentos, deslizamentos, danos a plantações e interrupções em rodovias e no fornecimento de energia.
O cenário pode persistir. O Simepar prevê chuvas acima da média em todo o Paraná ao longo de setembro, especialmente na primeira quinzena, com a passagem de frentes frias e a atuação de sistemas de baixa pressão.
Sob influência do El Niño, ativo desde junho, a instabilidade deve continuar na primavera e no verão 2026/27, com possibilidade de novos episódios de chuva intensa, ventos fortes e granizo.
O impacto já chegou ao plantio
O cenário preocupa o campo porque coincide com o início da semeadura da safra de verão 2026/27. O excesso de chuva já interfere no calendário agrícola, reduzindo as janelas para entrada de máquinas e atrasando operações. Em Pato Branco, no Sudoeste, o plantio da soja chegou a ficar 25 pontos percentuais abaixo do ritmo esperado, com o solo encharcado impedindo o trabalho.
As chuvas também interromperam o plantio do milho de verão em algumas regiões. Mais do que o volume acumulado, a distribuição das chuvas é decisiva. Períodos prolongados de solo encharcado reduzem as janelas de plantio, dificultam a formação inicial das lavouras e podem afetar as decisões sobre o cultivo seguinte.
Clima instável exige atenção no campo
A chegada da primavera não significa estabilidade. O Simepar prevê temperaturas dentro ou abaixo da média em boa parte do Paraná, com possibilidade de geadas pontuais, intercaladas com períodos de calor, umidade e novos temporais.
Para o produtor, o excesso de chuva também pode comprometer estradas, pontes e o fornecimento de energia, dificultando o plantio, o transporte e o escoamento da produção.
Sob influência do El Niño, que pode atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro, o Estado deve seguir com períodos de instabilidade nas próximas semanas, reduzindo as janelas de tempo favoráveis às operações agrícolas.













