Chuvas que chegaram no momento mais delicado do ciclo estão colocando em risco uma colheita que tinha potencial para ser excepcional no oeste do Canadá. O país é o maior exportador mundial de canola e um dos principais produtores e exportadores de trigo.
Em 2025, a produção canadense de trigo chegou a 32,8 milhões de toneladas, recorde histórico. Agora, chuvas persistentes desde o fim de agosto mantêm campos saturados em Saskatchewan, Alberta e Manitoba, atrasando a colheita e aumentando o risco de perda de qualidade.
O problema não é necessariamente perder toda a produção. Quanto mais tempo o grão permanece no campo em condições úmidas, porém, maior a possibilidade de perder qualidade e, consequentemente, valor comercial.
Uma fazenda pode perder mais de R$ 370 mil
Em Davidson, Saskatchewan, o agricultor Rob Stone enfrenta solo saturado e cereais úmidos que dificultam a entrada das máquinas.
O trigo da propriedade era inicialmente classificado como de primeira categoria. Stone estima que parte da produção possa cair para a segunda ou terceira, reduzindo o preço recebido. A diferença pode variar de C$ 0,30 a C$ 1 por alqueire e representar uma perda superior a C$ 100 mil, cerca de R$ 370 mil na cotação de 15 de setembro de 2026.
Stone cultiva 4.300 acres de trigo, cerca de 1.740 hectares, e 3.000 acres de canola, aproximadamente 1.214 hectares. Até a sexta-feira anterior à publicação da Reuters, havia colhido menos de um quarto das duas culturas.
Ritmo de colheita está muito abaixo do normal
Na segunda semana de setembro, Stone normalmente já teria terminado o trigo e avançado na canola. O atraso, porém, atinge boa parte das pradarias canadenses, importantes produtoras de:
- Trigo de primavera
- Trigo durum
- Canola
- Leguminosas
Em Saskatchewan, até 7 de setembro:
- 27% da safra havia sido colhida
- 58% é a média dos últimos cinco anos
- 13% do trigo de primavera estava colhido
- 9% da canola estava colhida
- 38% do trigo durum estava colhido
Chuva compromete cor, peso e sanidade dos grãos
O excesso de umidade pode provocar perda de cor e peso, germinação ainda no campo, mofo e infecções por fungos. Segundo o criador de trigo da Universidade de Saskatchewan, Adam Carter, alguns desses danos não são visíveis a olho nu.
A germinação antes da colheita é especialmente problemática. Mesmo quando o produtor consegue retirar a lavoura, o grão pode receber uma classificação inferior e valer menos no mercado.
A preocupação aumenta porque as lavouras apresentavam boa aparência e potencial de produção antes das chuvas. Os produtores já haviam enfrentado um julho quente e úmido, favorável ao surgimento de doenças, e a umidade prolongada pode ampliar os problemas sanitários.
Ainda há tempo para recuperar parte do atraso, já que neve e solo congelado costumam se tornar obstáculos maiores apenas perto do fim de novembro. Mas cada dia de campo encharcado reduz a janela de colheita e aumenta o risco de uma safra promissora chegar ao mercado com qualidade inferior.













