Um agrônomo decidiu abandonar o cultivo convencional de milho e soja para transformar 25 hectares em uma propriedade baseada em práticas agrícolas sem agrotóxicos.
No lugar da monocultura, o terreno passou a reunir árvores, pastagens, avelãs e criação de galinhas.
A mudança levou a propriedade para um modelo integrado, no qual diferentes atividades ocupam o mesmo espaço e desempenham funções complementares.
As aves circulam sob as árvores, enquanto o cultivo de avelãs divide espaço com áreas destinadas à pastagem.
A experiência faz parte de um movimento que vem ganhando espaço entre produtores dos Estados Unidos interessados em sistemas regenerativos e em formas de produção que reduzam a dependência de insumos químicos.
Da monocultura para o sistema integrado
Antes da conversão, a área era ocupada pelo cultivo tradicional de grãos, modelo amplamente usado no Meio-Oeste americano e dependente de insumos químicos.
As galinhas passam a ocupar um papel central nesse novo desenho produtivo. Criadas soltas sob a copa das árvores, elas ajudam no controle natural de insetos e contribuem para a fertilização do solo, reduzindo a dependência de fertilizantes sintéticos.
O componente espiritual da mudança
Para agricultores que adotam esse caminho, a decisão de abandonar o modelo convencional muitas vezes nasce de uma reflexão sobre o papel do ser humano na relação com a terra.
Essa perspectiva também aparece em experiências indígenas de manejo agrícola, que tradicionalmente tratam o solo, as plantas e os animais como parte de um mesmo ciclo, e não como recursos isolados a serem explorados.
Essa abordagem tem ganhado espaço entre produtores dos Estados Unidos que buscam alternativas ao sistema baseado em monoculturas extensivas.
A comparação entre práticas agrícolas de diferentes regiões, incluindo experiências na Guatemala, reforça a ideia de que a agricultura regenerativa não é uma tendência isolada.
Mas parte de um debate mais amplo sobre a forma como o alimento é produzido.
Avelãs como aposta de longo prazo
O plantio de avelãs dentro do sistema regenerativo funciona como uma fonte de renda que se soma à criação de galinhas e à recuperação do solo.
Diferentemente do milho e da soja, que exigem replantio a cada safra, a avelã é uma cultura perene, o que reduz a necessidade de revolver a terra com frequência.
Essa combinação entre árvores frutíferas, pastagem e criação animal é o que caracteriza os sistemas agroflorestais, cada vez mais discutidos como alternativa viável em propriedades que antes se dedicavam exclusivamente a grãos.
A conversão de terras de monocultura para sistemas regenerativos como esse ainda representa uma parcela pequena da produção agrícola nos Estados Unidos.
Mas ganha força entre produtores que buscam reduzir o uso de químicos e diversificar a renda da propriedade rural.













